A Ira [História de Terror]

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Desde que me tornei mestre em psicologia, nunca vi tantos surtos de TEI
(Transtorno Explosivo Intermitente) como vejo atualmente. Só aqui na Itália já são mais de mil casos no último mês e isso só na minha clínica. Porém, um caso vem me chamando atenção.

É desse jovem que estou atendendo faz algumas semanas, seu nome é Lorenzo Rizzo e ele tem uma das crises mais perversas que já vi. Os surtos vem seguidos de agressão a colegas, quebra de materiais públicos e seus pertences pessoais. Felizmente meu consultório continua intacto, mas esse garoto tem algo que me fascina, por que ele não tem esses transtornos em casa? Sua família o acalma? E se ele conseguisse agredir a queridíssima Sra. Rizzo, sua mãe ou a fofa da Luna, sua irmã ou seu pai, Sr. John? Será um novo estágio explosivo que venho a detectar? Deus me perdoe por esse pensamento.

Preparo-me para sua consulta que começará agora às 15:30 dessa tarde de Segunda-Feira. Confesso que estou ansioso pelo que pode vir, tenho alguns métodos que quero testar para ajudar Lorenzo com o que está acontecendo. Pobre coitado entrou exausto na minha sala e já imagino o por quê.

— Boa tarde Sr. Malig, não queria chegar pedindo, mas poderia me dar um copo de água, por favor? – Disse Lorenzo.

— Boa tarde meu garoto, veio correndo como lhe pedi, fico feliz – Falei enquanto o servia um copo com água.

— Obrigado doutor! Fui correndo para a escola também e não agredi ninguém hoje, mas fiquei com vontade. Aquela professora de português é um saco.

— Paciência meu garoto. Tudo é questão de como seu corpo reage. Fazer você correr, funciona como relaxante – Falei logo pegando meu caderno e caneta.

— Foi uma boa ideia minha mãe me colocar aqui com o senhor. Por mais que eu tenha medo de um dia ferir você ou minha família, me sinto tranquilo aqui, como em casa. – Disse Lorenzo com um sorriso.

— Olha só meu garoto, você está sorrindo, fico feliz com sua interação comigo nesses dias.

A conversa foi ótima e falei para ele voltar para casa correndo e descansar, mas não foi o que aconteceu. Meu telefone tocou e Lorenzo não me deixou ter a primeira palavra:

— EU CANSEI DOUTOR EU ESTOU CAGANDO PRA ISSO TUDO – Disse ele enfurecido.

— Acalme-se garoto – Falei com o tom mais tranqüilo possível.

— NÃO! CHEGA DE CALMA! MINHA MÃE E ESSA MERDA DE MANIA DE ME MANDAR COLOCAR A ROUPA NO CABIDE, MINHA IRMÃ DEIXANDO ESSAS BOSTAS DE BONECAS ESPALHADAS E MEU PAI EXIGINDO QUE EU LAVE ESSA PORRA DE CARRO. VÃO TODOS PRO INFER… – Disse Lorenzo antes de desligar o telefone abruptamente.

Não acreditei no que ouvi e não tive outra reação além de rir, quase chorei de tanto rir nessa noite. Sinto-me vivo e bem com isso. Mandá-lo correr para que seu corpo canse e sua mente perturbada consiga total controle foi uma cartada ótima.

De repente coloco minha mente no lugar e vejo o pobre garoto ajoelhado na minha frente coberto de sangue e órgãos, o que eu imagino que tenha sobrado de sua família. Sua mãe estava em pedaços, hahaha! Pobre Elisa. Pendurada por partes em cabides. A coitada da Luna, com a cabeça decepada fazia parte de uma boneca e meu querido John, não sabia o que como chamar quando um humano se fundia a um motor de carro, hilário.

“Há duas horas, foram encontradas cenas lamentáveis do que ocorrera nessa noite em Roma, a família Tudor foi brutalmente assassinada e a polícia investiga o paradeiro do filho mais velho da família, quem encontrar Lorenzo Rizzo, por favor, pronuncie-se…”

Essa era a notícia que se passava no jornal àquela hora. Um rádio no meio de um galpão escuro, mas longe de estar vazio. Junto dele, os diversos corpos amarrados, seres humanos ainda com vida, resmungando, gritando, xingando e se debatendo com olhos cheios de raiva, ai como eu amo meus bebês.

Lorenzo acorda e logo quando me vê tenta me agredir, mas está amarrado, tadinho, preso por correntes de aço. Por que é sempre bom se precaver com esse garoto.

— Quem é você!? – Pergunta Lorenzo com medo e puro ódio.

— Como assim meu garoto? Sou eu, o Sr. Malig. – Falei sorrindo – quer dizer, vocês têm vários nomes pra mim, mas pode me chamar como me conhece.

— Vários nomes?

— É, várias religiões, vários nomes. Mas na sua acredito que seja, Satanás. –Olhei parar Lorenzo e seu aspecto parecia confuso – É difícil acreditar meu garoto. Um homem de trinta e poucos anos que só usa camisa branca e terno preto, com um estilo comum e uma voz delicada, sei como é se sentir assim, porém é a verdade.

— Não sei que tipo de louco você é, mas me tira daqui agora!

— Calma jovenzinho, você é crente não é? Sabe, aquilo tudo de Deus e tudo mais. Vivi milênios nessa terra e sei que a humanidade adora venerar deuses, mas vocês julgam aqueles que realmente os protegem. Às vezes eu tinha vontade de deixar a vigia do portal só para ver como vocês se virariam sem mim ou sem os outros, mas correria o risco de perder minha única fonte de alimento e diversão, vocês.

— Protegem? Olha o que você está fazendo com toda essa gente!

— Todos aqui presos sofrem de TEI e isso é mais um favor do que uma punição. A maioria poderia ter morrido e eu ficaria triste com isso – Falo passando minhas mãos no rosto de Lorenzo.

— Por que está fazendo isso?

— O equilíbrio precisa ser mantido e, enquanto nos alimentamos, mantemos o mundo a salvo. Principalmente nesses últimos anos, esse tal de Ed Sheeran faz a humanidade valer à pena.

— Existem outros como você?

— Sim, outros seis além de mim. Vocês nos chamam de “príncipes do inferno”, o que eu particularmente acho ridículo, já que estamos em pura presença aqui com humanos.

Depois de falar percebi que Lorenzo estava mais confuso do que no começo

— Sabe garoto, a burrice humana é, sem dúvidas, entediante. Ter tido que jogar tudo no colo de vocês para que evoluíssem, sempre me deixava pra baixo. Mostrar a faísca para que descobrissem o fogo, sussurrar nos ouvidos daqueles “gênios” para que eles fizessem algo de útil, Einstein, Da Vinci, Newton, Edison, Galileu e entre tantos outros, foram apenas fantoches para todos nós. Mas ainda sinto pena daquele Nikola Tesla, único real gênio que já passou por aqui e vocês o chamaram de louco.

— E o que vocês são? Anjos? – Falou com sarcasmo

— Um de nós já foi um anjo. Arcanjos eram presos por correntes divinas para que não viessem para cá pecar, porém esse conseguiu pecar no céu. Saudades do Luci deve estar curtindo o verão no Rio. Enfim, chamam-nos de demônios, o que é um insulto, então ajudei aquele tal de Binsfeld a nomearmos, como é mesmo a designação? Ah lembrei, os sete pecados capitais.

Senti o ar pesar e Lorenzo parecia perplexo com tudo aquilo. Deve realmente ser um choque saber que tudo em que você acreditava, em partes, era mentira. Mas não o julgo, isso vem acontecendo desde que a humanidade se fez em sociedade, vou parar antes que o pobre garoto surte.

— Muito prazer meu menino, sou protetor do Coliseu. Satã o pecado da Ira.
Coloquei minha mão sobre o rosto de Lorenzo e enquanto ele se debatia e gritava, eu sentia aquele ódio todo nas pontas dos dedos. Sentia-me cada vez mais novo, mais forte e percebi que precisava cortar as unhas, credo.

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