A Marca [História de Terror]

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Desde que me lembro sempre vi espíritos. Quando ainda era apenas uma garotinha não sabia identificar o que era espíritos e o que eram pessoas de verdade, então era muito comum eu interagir com “pessoas” que só eu via e ouvia. Isso fez com que as outras crianças se afastassem de mim, me chamando de louca e coisas do tipo.

Com o passar do tempo fui conseguindo distinguir o que era espírito e o que não era, tentando entender porque só eu os via. Perguntava para minha mãe e ela sempre dizia que isso acontecia por causa de uma marca que eu tinha nas costas.
Passei a odiar aquela marca que parecia ser um símbolo, assim como cada fantasma que eu via, tentava ignora-los, mas quanto mais eu os ignorava, mais eles tentavam se fazer percebidos por mim e alguns inclusive ficavam irritados e agressivos. Tentei também me livrar daquela marca de todas as formas, cheguei até a queima-la, mas não consegui.

Com o tempo, as manifestações espirituais ficaram cada vez piores e esses seres malignos começaram a possuir meu corpo em alguns momentos. Era horrível, não ficava inconsciente, mas perdia totalmente o controle sobre o meu corpo e minha fala. Infelizmente houve ocasiões em que isso aconteceu em locais públicos, o que fez com que todos me temessem ainda mais e se afastassem de mim.

Muitas vezes em desespero, pedia ajuda a minha mãe e alguma explicação sobre tudo isso que acontecia comigo. De tanto eu insistir ela resolveu contar toda a verdade, que aquela marca, antes de ser minha, tinha sido dela e que ela sabia exatamente como eu me sentia, pois enquanto a marca foi dela, também os via. Contou-me que sua mãe era uma bruxa e que a tinha oferecido para Demônios e espíritos, como uma espécie de ligação entre o mundo deles e o nosso, por isso tinha aquela marca. E por fim, me falou que por não aguentar mais viver daquele jeito, ofereceu-me por meio de um ritual que tornaria possível passar aquela marca para um filho. E foi assim que essa marca passou para mim, assim como essa terrível maldição.

Eu não podia conceber o que estava ouvindo, era difícil para mim aceitar que minha mãe era a culpada de tudo e responsável pela minha vida ser um inferno. Cresci bem revoltada e com muita raiva da minha mãe.

Durante minha adolescência comecei a beber, usar drogas, me cortar, isso sem mencionar as veze que realmente pensei em me matar.

Quando completei 15 anos, esses espíritos que eu via tornaram-se ainda mais violentos e por vezes me machucavam, apertando meus braços, puxando meus cabelos, puxando minha perna e até apertando minha garganta.

Lembro-me de uma vez que eu estava no banheiro da escola sentada na privada, quando alguém bate na porta, então respondo que tem gente, mas a batida na porta continuou. Respondi mais uma vez que o banheiro estava ocupado, mas mesmo assim as batidas continuaram, então deduzi que ou era uma brincadeira sem graça de algum aluno, ou era algum espírito. De repente as batidas pararam. Eu comecei a ficar bem apreensiva, não sabia o que estava lá fora. Quando olho para baixo na direção da porta, vejo a sombra de alguém se aproximar, senti um terrível frio na espinha, em seguida alguma coisa começa a se arrastar devagar para dentro do banheiro.

Era horrível, parecia um homem mas estava com o corpo todo queimado, um dos olhos parecia estar furado enquanto o outro olhava fixamente para mim, sua boca estava aberta com a mandíbula torta e ele gritava meu nome. Subi em cima do vaso e comecei a gritar, ele entrou no banheiro e começou a tentar me agarrar pela perna. Eu o chutava e gritava por socorro, até que dois funcionários entraram e chutaram a porta até arromba-la. Me pegaram no colo e me tiraram de lá, ainda pude olhar para trás para ver mas o tal espírito já não estava mais lá.

Do lado de fora vários alunos que escutaram os gritos, estavam me olhando com aqueles olhos, como se eu fosse uma louca. Eu não aguentava mais esses olhares de todos.

Depois de uma tentativa minha de suicídio, uma tia do interior me chamou para morar com ela e eu obviamente aceitei, não suportava mais ficar com minha mãe, não podia mais ouvi-la falando que aquele era meu destino, passei a odiá-la, ela não se importava nem um pouco com o que eu sentia.

Ir morar com minha tia também significava que pela primeira vez ninguém iria olhar para mim com pena ou como se eu fosse louca. Eu estava disposta a tentar ter amigos, ser boa aluna, enfim, disposta a recomeçar, mas eu sabia que não seria fácil, sabia que esses espíritos me seguiriam não importa para onde eu fosse.
Eu estava fazendo amizades novas e até estava indo bem na escola. Me esforçando ao máximo para ninguém desconfiar das coisas que eu via, do medo que sentia e muitas vezes da dor que eles me causavam.

Houve uma ocasião em que minhas amigas me chamaram para uma festa de pijama, foi minha primeira festa. Estava muito feliz, mas nunca pensei que seria tão difícil aquela noite. Estávamos todas assistindo filme e comendo pipoca na casa da Joyce, seus pais não estavam apenas seu irmão mais velho Gustavo. Teve uma hora que me levantei e pedi para usar o banheiro, quando entrei e ascendi a luz dei de cara com um cadáver enforcado, não consegui me conter e dei um grito, logo as meninas vieram ver se eu estava bem, então disse que me assustei com uma barata.

Logo quando volto para a sala dou de cara com alguém se jogando do terraço do apartamento de Joyce. Se tratava de outro espírito, fingi que não tinha visto nada, embora tivesse ficado extremamente assustada.

Depois do filme fomos todas dormir, dividimos as camas, cobertores e travesseiros, estava tudo muito aconchegante, mas eu não estava conseguindo dormir.

Quando todas já estavam dormindo, vi a porta do quarto se abrir e quem entrou por ela foi aquele mesmo espírito que entrou no banheiro da escola. Vi aquela coisa se arrastando pelo quarto e tentando subir na cama que eu estava, não quis fazer barulho para não acordar ninguém, não queria estragar a noite de todos, então só cobri a cabeça com a coberta, enquanto sentia aquele espírito se aproximar cada vez mais.

De repente eu não sinto mais nada na cama, pensei que seria muito bom se aquela coisa desistisse, mas quando tiro a coberta do rosto, dou de cara com a aquela coisa bem na minha frente, com um dos olhos me olhando fixamente.

Lembro-me do cheiro de pele queimada que ele exalava e do hálito podre que saia de sua boca, eu não sabia o que ele queria comigo e quando percebi já era tarde, já estava totalmente a mercê dele, então aquilo entrou no meu corpo. Ele começou a gritar e agredir as garotas, dizia que eu era dele. Não pude fazer nada enquanto aquele espírito usava meu corpo e destruía tudo no quarto.

Até Gustavo, irmão de Joyce foi lá ver o que aconteceu e ficou chocado, mas mesmo assim tentou ajudar.

Depois que tudo acabou e ele saiu do meu corpo, todas estavam horrorizadas com que viram, começaram a ter medo de mim, me olhavam como se eu fosse um monstro, todo aquele pesadelo e a solidão que eu vivia iriam voltar.

Alguma das meninas que estavam na festa do pijama deve ter contado o que aconteceu naquela noite para outros alunos, pois todos na escola começaram a me evitar e me olhar estranho.

Eu não aguentava mais tudo aquilo, tanto sofrimento, medo e solidão, culpava minha mãe por tudo que eu passava, mais uma vez todos me viraram as costas. A única pessoa que estranhamente não fugiu de mim, não ficou com medo e tentou se aproximar, foi Gustavo, o irmão da Joyce.

Quando ele ia até a escola buscar a Joyce, conversava comigo e muitas vezes fazia questão de me levar em casa. No caminho conversávamos sobre tudo, como ele já sabia das coisas que eu via, não precisava esconder nada, contava tudo para ele. No fim das contas, Gustavo foi meu único amigo ao longo de todo o final do ensino médio, era minha companhia, meu confidente, meu ombro amigo e no último ano escolar, meu namorado.

Depois de um tempo minha tia faleceu e deixou a casa e tudo que ele tinha para mim, eu e Gustavo vendemos e fomos viver bem longe dali, recomeçamos do zero.
Não demorou muito para que eu engravidasse, minha filha nasceu faz dois anos e vivo em paz, nunca mais vi espíritos e nem nada do tipo, até porque não tenho mais a marca nas minhas costas que tanto me atrapalhou, pois quem a carrega agora é minha filha.

Hoje entendo perfeitamente minha mãe.

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