Amém

amém história de terror mundo sombrio

Mês passado, eu estava a ponto de ter um colapso de nervos: estava bastante nervosa e assustada, por diversas vezes, desde o começo da quaresma, tinha visto vultos negros andando pela casa não importando a hora, mas a frequência maior dos acontecimentos sempre rolava de madrugada, para ser mais exata durante as três horas da manhã. Toda vez que ouço, vejo ou sinto algo que me faz ter medo rezo: um Pai Nosso, um Ave Maria, Creio em Deus e a oração de São Bento; e quando está indo de mal a pior uma oração para o Arcanjo que acabou com Lúcifer, ao Arcanjo Miguel.

Dia 12 de março de 2015, quinta-feira a noite, aconteceu um incidente e eu tive de ficar sozinha até na manhã da sexta-feira, dia 13. Aproveitando fiz uma sessão cinema para não me sentir tão entediada, coloquei a saga do Star Wars e me perdi no tempo, só me dei conta do horário quando o meu sono chegou. Eram 02:45 da manhã quando resolvi ir me deitar, coloquei o pijama e abri a porta do meu quarto para ir buscar água. Abrindo a mesma, deparei-me com um barulho que vinha da sala, parei de frente do meu quarto para entender do que se tratava. O interruptor estava longe demais para ir até lá, não me arriscaria ir no escuro. O máximo que pude fazer foi acender a luz do corredor e foi quando vi, bem no final do corredor, um vulto negro que insistia em bater sua cabeça na parede: essa era a origem do barulho. Aquela mancha negra, ao escutar minha respiração mais ofegante, virou-se para mim e veio em minha direção, a reação mais rápida que eu pude fazer foi adentrar para meu quarto, fechar e passar a chave no trinco da porta, fechando-a. Fiquei parada de frente da mesma, não escutava mais absolutamente nada, o que me deixava extremamente curiosa, então me aproximei da porta e encostei minha mão na mesma. Logo após alguns segundos, resolvi encostar minha orelha para poder escutar se aquela coisa havia ido embora, então fui levando meu rosto vagarosamente para as proximidades da porta e foi ali, enquanto aproximava minha orelha, que uma batida surgiu quebrando aquele silêncio atormentador. Um baita susto levei, fazendo com que eu desse um passo para trás. Fiquei ainda ali, diante da porta e novamente mais uma batida forte aconteceu, dei mais outro passo para trás e de novo. Três batidas: não podia ser real que aquela coisa estava brincando com a santíssima trindade; o Pai, o Filho e o Espírito Santo em plena três horas da manhã.

Fiquei ali sem esboçar reação nenhuma. Estava a três passos de distância da porta e o silêncio ressurgiu, certamente era só mais um espírito zombeteiro de quaresma, talvez houvesse ido embora para minha maior felicidade. Mas e se não fosse um espírito zombeteiro? Surgiram dúvidas cruéis em minha cabeça, mas fui interrompida quando a maçaneta da porta começou a girar, aquilo me deixou bastante assustada. Aquela coisa queria entrar no meu quarto pra quê? Como se não bastasse as batidas. Fui até meu criado mudo, peguei meu terço e comecei a rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria Talvez fosse apenas uma alma perdida sem saber achar a luz, comigo rezando ela poderia se acalmar e descansar, então o fiz. A maçaneta parou, senti-me um pouco menos tensa.

Sentei-me na beirada da cama, tentando voltar à normalidade, embora minha cabeça estivesse confusa e não parasse de pensar na imagem daquela sombra negra. Enquanto lutava com a minha própria mente, novamente o silêncio foi quebrado quando três batidas rápidas e fortes vindo da janela ecoaram pelo quarto, fazendo meu corpo ir todo pra cima da cama e vibrar de susto. Corri e fechei o vidro da janela juntamente com a persiana, não iria correr o risco de ver algo de total desagrado novamente. Aquele ser estava ali para me colocar medo e estava indo com total sucesso em seus projetos. Não era uma alma perdida, então rezei um Creio em Deus pai.

O silêncio atormentador foi para um alívio sem fim. No entanto, o quarto ficou gélido, cobri-me com o edredom quando as luzes começaram a piscar, a maçaneta a rodar e a janela a tremer como se quisesse abrir pelo lado de fora.

Meu maior medo era a luz apagar e eu ficar no escuro e, para minha coleção de má sorte, a luz apagou e todo aquele tormento parou. Cobri minha cabeça e acendi a lanterna do meu celular, escutei passos vindo em direção a mim, pressionei meus olhos e segurei com firmeza o terço, estava trêmula. Não podia aparentar estar com medo, mesmo estando; isso alimenta esse tipo de coisa. Enquanto fazia a oração de São Bento, escutei passos indo embora, continuei a reza. Na metade, a luz começou a acender, ficando na meia luz, senti-me menos pior. Fui abaixando o edredom, destampando apenas os olhos: dava pra ver perfeitamente o quarto. Meus olhos foram diretamente para a porta e para a janela, estavam fechadas. Continuei a prosseguir com meus olhares e, no final da oração, eu percebi que algo teria entrado: existia uma respiração a mais, embora eu não pudesse ver, talvez estivesse debaixo da minha cama.

Estava na reta final da oração do Arcanjo Miguel:

“São Miguel Arcanjo, Príncipe da Milícia Celeste, subjuga o mal para sempre. Precipita no inferno o Satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo a perder almas, porque Tu és vitorioso pelos séculos dos séculos.”

E antes que eu pudesse abrir a boca para dizer amém, escutei um riso maléfico e junto com ele um amém. A voz era indefinida, mas afirmo que era horrível.

Em busca do dono da voz, percebi que o ser não tinha andado pelo chão, nem se escondido debaixo de minha cama. Ele estava no alto, bem acima da minha cabeça. Ao ver aquela imagem satânica, dei um grande berro, e sua figura horrível transformou-se em fumaça negra e desapareceu. Entrei em total pânico, mal podia pensar direito no que faria caso ele voltasse, então pensei melhor e liguei para meu pai me buscar em casa. Quando peguei no celular, vi o horário: era o término do fim da hora morta, eram 04:00 da manhã. Então tudo fez sentido: as três batidas, a hora morta (ou do demônio, como preferir), a luz apagada, um ser horrível, a risada, o deboche da oração. A entidade ali presente nunca foi um humano, aquela entidade nunca foi um ser de carne e osso, aquilo era algo ruim, maligno, uma entidade demoníaca. Amém.

Por: Lorraina Costa

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