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Quando eu era criança, minha mãe sempre me contava que falar a palavra “desgraça” atrai o mal. Toda vez que eu dizia essa palavra, ela me fazia repetir “arreda daqui praga do inferno”. Na verdade, eu nunca entendi o motivo, até o dia em que ela mesma, num surto de raiva com meu pai, gritou “desgraça” repetidas vezes dentro de casa.

Como já faz muito tempo, eu não me lembro o real motivo que a deixou tão nervosa, já que meu pai não morava conosco, mas me lembro que ela chegou até a quebrar uns pratos no chão, tamanha era a sua raiva.

Logo depois a discussão, ela se trancou em seu quarto e caiu num choro profundo. Tão profundo que eu conseguia ouvir seus soluços do lado de fora.

Eu bati na porta e ouvi sua voz embargada, porém doce, dizer que “estava tudo bem” e que eu precisava ir dormir. Então, mesmo contrariado, fui para o meu quarto dormir. Mas, acordei no meio da noite, ouvindo um rangido estranho, vindo do quarto dela. Percebi que seu choro havia cessado, mas agora, eu ouvia nitidamente sua voz, implorando para que algo, ou alguém, a deixasse em paz. Acho que ela estava falando ao telefone. Será que era com o meu pai novamente?

De repente, ouvi o barulho de passos correndo pela parede e me apavorei. Fiquei congelado, paralisado. Não conseguia me mexer. Fiquei apenas escutando aquela discussão de uma pessoa só.

Pouco tempo depois, a porta do meu quarto abriu. Então, minha mãe sussurrou meu nome e me chamou insistentemente para fora. Me levantei e a acompanhei.

Ela me puxava de forma brusca, quase que me arrastando pela casa. Assim que passamos pela porta do quarto dela, eu pude jurar que vi uma criatura bizarra. Nesse momento eu já estava bem acordado, então sei muito bem o que eu vi. Num relance, eu vi aquele vulto alto, cabelos longos e pele enrugada, apontando para minha mãe com a boca escancarada. A criatura emitia um ruído agudo, como o de um porco no momento do abate. Mas não conseguia sair de trás da porta.

Com lágrimas nos olhos de tanto medo, a única coisa que eu ouvi minha mãe pedir foi para que eu não olhasse novamente para trás. Ela afirmava que iríamos dormir na casa da minha tia naquela noite.

Quando chegamos no quintal totalmente escuro, percebi que minha mãe rezava baixinho. Ao me olhar, ela entendeu minha expressão de pavor e dúvida e, sem que eu perguntasse nada, ela passou as mãos nos olhos molhados e disse, desviando o olhar.

Era a Desgraça que estava lá!

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História de Terror: A Desgraça

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