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O Grande Bode [História de Terror]

por Mundo Sombrio
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O horror que presenciei, começou, como penso que começam a maioria dos eventos pavorosos, com momentos de alegria e distração. Estava de viagem, subindo uma região serrana e então meu carro parou. Confesso que no momento não me veio à mente a lembrança dos clichês de filmes de terror que se iniciam com panes em automóveis.

Verifiquei o celular: sem sinal. Esperei um tempo indefinido e então, depois de pensamentos conturbados, caminhei alguns metros. Finalmente, orientado por um senhor e um garoto que encontrei na estrada, adentrei a uma chácara ali próxima para pedir ajuda. Enquanto ia pelo caminho de areia alva, cercado pelos lados por uma grama alta, ouvia o som de cigarras que anunciavam o fim do dia. Lembro que nesse momento sentia uma terrível e inexplicável ansiedade.

Cheguei à uma construção que à distância, eu vira como uma residência enorme, atarracada e cercada por uma varanda. Temi ser atacado por cães ou me ver surpreendido por um senhor com uma espingarda na mão, informando que invasores levavam chumbo. Bati palmas, chamei e não houve resposta. Diante de mim uma porta de madeira verde, enorme de duas metades que eu hesitei em me aproximar. Na verdade, hesitava mesmo em pôr os pés na varanda por alguma razão ininteligível. Bobagem, pensei ao fim de algum tempo. Criei coragem e fui bater na porta.

Uma das metades se abriu e vi um enorme salão com bancos de um lado e outro como uma enorme igreja. O vislumbre que tive foi curto em termos de duração, mas as imagens penetraram minha mente e eu lembro até hoje com exatidão o que vi. Após o corredor central, entre as fileiras de bancos, havia uma espécie de altar onde a estátua de um grande bode negro se postava sentado no chão com as pernas cruzadas.

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Os braços estendidos com as mãos abertas e as palmas voltadas para cima, repletas de velas. Umas poucas acesas naquele momento. Ao lado do pavoroso ídolo, filas de crânios humanos que, pela distância, não podia afirmar se eram reais. Acima da criatura, uma faixa escrita: “Lucífer, o injustiçado”. Todo o ambiente denunciava um lugar de culto satânico. Um cheiro adocicado vinha do altar e completava o pavor de uma maneira que eu não saberia explicar.

Nesse momento me lembrei de prodigiosos filmes de terror. Dei dois passos para trás e logo me vi cercado por pessoas. No meio deles, o senhor e o garoto que haviam me orientado na estrada. Não disseram nada, apenas me olharam. Tomado pelo pavor, sentindo meu corpo dormente, o coração acelerado, saí correndo, esbarrando naquela gente. Mudei, atrapalhado, o percurso ao ver pessoas na entrada da propriedade, corri para o lado, torcendo para que as delimitações do lugar fossem um cercado baixo. Em um instante me vi correndo sob a copa de uma enorme mangueira. Passei por um poço e logo em seguida cheguei a um enorme, curto e largo pilar de pedra, sobre o qual havia uma mancha escura.

Um cheiro imenso de carne podre atingiu-me as narinas. Nesse momento ouvi o latido de cães e, mesmo correndo o máximo que podia, vi o que me pareceram restos mortais, cruzes e objetos de difícil identificação sobre outro altar coberto de cera de velas. Seres humanos ou animais eram sacrificados ali, tive certeza. Talvez ambos!

Cheguei até a cerca e me joguei do outro lado. Só quando me certifiquei que estava longe da propriedade, comecei a caminhar. Andei até a madrugada e, durante o percurso, juro que ouvi gritos demoníacos e luzes estranhas no meio do mato. Creio que não possa descrever em palavras o horror que experimentei. Às vezes eu me sentia dentro de um sonho escuro.

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Cheguei à cidade quando o dia já clareava. Sentei-me no banco da praça, defronte à igreja e a sensação foi de ter nascido de novo. Quando consegui ajuda de um dos moradores da cidade, contei minha história. Ele me disse que ouvira falar de um grupo estranho que cultuava um bode preto, enorme e assustador. Ele não sabia dizer se era verdade, mas tinha certeza de que pessoas costumavam desaparecer naquela localidade.

História de Terror escrita por Jorge Raskolnikov

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