Crise da Meia Idade

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História de Terror ‘Crise da Meia Idade’, mostra o que realmente pode acontecer quando se fica entre o ódio infernal de duas mulheres. Então, cuidado!

Eu era muito jovem quando conheci um charmoso médico veterinário de meia idade, trabalhador e muito inteligente. Vez ou outra fazíamos parcerias no trabalho, mas desde a primeira vez que o vi, me apaixonei. Sentia nele um tratamento diferenciado em relação a mim, o que me dava a sensação de ser correspondida.

Porém, havia um fator complicador desta relação: ele era casado. Mesmo assim, me deixei levar pelos sentimentos que tinha por ele. Não demorou muito para que efetivamente nos entregássemos àquela paixão e mantivéssemos um relacionamento proibido.

Ele me tratava tão bem que eu me sentia a mulher mais amada do universo. Tínhamos muitos planos juntos. A ideia era ele se divorciar e morarmos juntos, termos nossos animais, nossa rotina, nosso conto de fadas, sem nos escondermos de ninguém. Como já disse, eu era muito jovem e acreditei na lábia de um homem casado.

Passaram-se dois anos e aqueles sonhos de amor não se tornavam realidade. Até a esposa dele já sabia do caso e ele não se mexia. Alegava dificuldade com os filhos, divisão de bens, relações familiares conflituosas, etc. Mas eu acreditava que ele estava tentando e, por isso, aceitava todos os desaforos e humilhações que sofria por ser amante.

É evidente que tantas situações desagradáveis foram desgastando nosso relacionamento. Porém, apesar de ter tomado uma proporção muito grande, eu não queria abrir mão do relacionamento por ser muito orgulhosa. Queria sair vitoriosa e, o meu prêmio, era ele não ter nenhuma outra mulher além de mim.

Sabe-se que homens de meia idade vivem crises existenciais e, vez ou outra, usam moças bobas, assim como eu, para se sentirem mais joviais e vigorosos. Somos, na verdade, objetos de satisfação masculina, e eles nos jogam fora na primeira oportunidade que tem.

O fato é que eu não era a única amante deste homem. E descobri isso após notar a diferença na forma dele me tratar em algumas ocasiões. Ele foi se tornando frio, afastando-se, deixando-me em segundo plano. Eu não era tão boba como ele imaginava. Passei a seguí-lo, observá-lo, pegar pequenos detalhes, até que descobri. Havia uma outra mulher. Ao contrário do que eu imaginava, consegui ser muito fria assim que confirmei minhas suspeitas. Não deveria e não faria nada com a cabeça quente.

Perguntei a ele se havia outra mulher. Ele negava, ficava bravo, desligava o telefone, batia porta na minha cara, parecia uma criança birrenta. Eu já sabia que sim, mas ele não confessava. Certo dia, ele estava saindo do trabalho e eu fui direto para o local onde os encontros amorosos aconteciam. Mas não fui sozinha. Estranhamente, encontrei uma companhia na missão de desmascarar o homem traidor. A mulher que era minha maior inimiga, agora se juntava a mim para dar o flagrante.

Entramos juntas no quarto do motel em que o casal estava. A cara de pavor de ambos ao nos ver foi enorme. A amante e a esposa do traidor juntas à beira da cama. A jovem não sabia da minha existência. Ele não acreditava que eu havia me juntado a sua esposa e, assim, sentiu o gosto da traição. Assusta-los, porém, era muito pouco. Ele nos enganou. Nós duas sabíamos da existência uma da outra. Mas não sabíamos de uma terceira mulher e estávamos tomadas pelo ódio.

Para o azar deles, tivemos muito tempo para pensar e muita cautela em nosso planejamento. Calmamente, colocamos cada um em um carro, amarrados e os levamos no sítio da família daquele homem “em crise existencial”. Lá, em um barracão isolado, tínhamos tudo que precisávamos para fazê-lo se arrepender de toda a dor que nos havia causado. Passamos três dias com eles presos. Eles não comeram e não beberam. Estavam nus, amargando cada segundo pelo caso extraconjugal.

Ao final de três dias, já estavam irracionais. Ele, sobretudo, queria reconquistar a esposa e não perder o seu dinheiro. Ela o fez uma proposta: o deixaria sair se matasse a mulher com quem estava no motel. Ele chorou muito, não queria ser um assassino, ainda mais daquela que vinha dividindo a cama. Mas, como bom egoísta que era, acabou desferindo um golpe fatal na cabeça da moça pensando que assim teria sua liberdade de volta. Porém, ele não sabia o tamanho que tem o ódio verdadeiro de uma mulher.

Eu não comentei ainda, mas sou enfermeira, e a minha parte do plano era objetiva, eu iria castrá-lo. Depois de cometer aquele assassinato e ter dado um jeito de ocultar o corpo da moça, ele respirou aliviado, achando que estávamos satisfeitas, mas não estávamos. Ele foi sedado e tiramos toda a parte externa do seu órgão genital que foi rudimentarmente castrado com uma faca cega. Só assim, quando acordasse, já não teria o que usar para cometer adultério com ninguém.

Nós o soltamos e, tempos depois, a esposa traída conseguiu tirar tudo o que ela tinha, deixando-o à míngua e divorciado. Dessa forma, ele estaria completamente livre para viver seus romances, ou não. Este homem ficou tão transtornado e envergonhado de sua situação que foi definhando, ficou maluco. Todas as vezes que tentava contar esta história para alguém, ninguém acreditava. É comum, sempre que saio para trabalhar, vê-lo em uma praça pedindo esmolas, ou em alguma cobertura escondendo-se da chuva. Ele fala sozinho, chama o nome da sua última amante e diz vê-la em todos os cantos, cobrando-o pelo mal que a fez. Parece que sua miséria se dá por causa do fantasma da garota que o persegue. Ninguém mais se lembra de quem ele era. Hoje é apenas o maluco capado. Mas ele mereceu.

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