Orgulho [História de Terror]

por Raullyane Mesquita
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Zacary tinha acabado de chegar à nova igreja que havia sido instruído pelo Vaticano a ficar por alguns anos até que outro padre pudesse o suceder. Zacary estava feliz com o que ele havia feito na igreja antiga e, nessa igreja, seria ainda melhor. Ele tinha ovelhas novas para treinar seus poderes de forma diferentes. Isso mesmo, o pecado do orgulho se fez padre para aproveitar melhor a profanidade dos que deveriam ser tementes a Deus.

Zacary colocou seus óculos escuros importados e saiu do carro que havia acabado de ganhar da capela como presente de boas vindas. Todos os que estavam na capela ficaram abismados com aquilo. Zacary era o homem mais belo e mais bem vestido que havia passado por aquela cidade e aparentava ser alguém muito agradável. As moças roeram as unhas por um homem assim não estar “disponível no mercado”.

A reunião foi tranquila e logo entraram na capela para a primeira missa. De cara, o novo padre bateu os olhos nas peças centrais: as senhoras que sempre se sentavam no início da igreja para se sentirem superiores aos demais.

O orgulho emanando por elas era tanto que a boca dele salivava de forma que quase não conseguia esconder. Ele brincou sobre isso na missa e notou que o aroma saboroso vinha de uma senhora em especial. Ela se vestia como alguém muito importante e trajava vestes negras. Em seu cabelo bem escovado, um belo véu de renda cobria seu rosto.

Zacary se aproximou da senhora enquanto fazia sua pregação e, junto ao orgulho, o pecado sentiu também a luxúria na mulher. Ele sorriu e continuou a pregar. Obviamente sua aparência impecável fazia tudo parecer mais fácil para ele e, de fato, era o que sempre acontecia.

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No final da missa, o Padre foi apresentado a todos inclusive à senhora Mildred, que havia lhe fascinado por toda a missa com seu orgulho. Ele descobriu que aquela senhora era esposa do prefeito e, por isso, se sentia melhor que os demais fiéis. Era tudo o que Zacary precisava para colocar seu plano em prática.

Primeiro ele sugeriu um almoço na casa dela afinal, ter um padre em sua casa era uma honra tão grande, que apenas poucas pessoas da capela haviam provado. Mildred se exibiu para os demais acompanhantes sobre o novo padre ir almoçar em sua casa e, mais uma vez, ele quase babou de fome.

Naquela mesma semana, Zacary almoçou com Mildred e com o prefeito e, após o almoço, trocou dúzias de assunto com os dois até que o prefeito precisou sair para resolver uma questão na secretaria de educação da cidade e o pecado do Orgulho colocou as “mãos na massa”. Ele esbanjou todo seu charme e carisma e, quando menos esperou, já estava aos beijos com a mulher do prefeito. Então surgiu a oportunidade para se ausentar e assim o fez.

Não demorou muito para que Mildred fosse atrás de Zacary. A senhora saiu escondido de todos e deixou um bilhete que não voltaria mais, pois faria uma viagem com alguém que amava. A mulher então bateu na porta do padre às duas da manhã com uma mala recheada de dinheiro. O Padre a recebeu e serviu um chá para ela. Mildred bebericava o chá como quem se deleitava com algo maravilhoso. O orgulho daquela senhora escapulia até mesmo por suas palavras e isso animava Zacary.

Com o tempo, o corpo de Mildred foi ficando mole e ela não conseguia mais se mover. Assim que seu corpo ficou todo paralisado, Zacary mostrou à ela sua verdadeira forma: um ser enorme com uma boca imensa e pele dourada. Seus olhos faiscavam ávidos pela carne embebida de orgulho e, com apenas duas mordidas, Mildred já não existia mais.

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Aquele foi um lanche maravilhoso e, para se certificar que tudo estava certo, ele devolveu a bolsa com dinheiro para o quarto da mulher com o maior cuidado e analisou o recado para ver se algo fazia menção a ele.

Após tudo isso, ele voltou para a igreja e esperou cerca de alguns meses para fazer outro lanche. Mildred foi taxada como uma mulher sem escrúpulos por todos na cidade e Zacary era um dos que diziam como era errado o que ela havia feito.

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