Por Trás da Perfeição [História de Terror]

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“As aparências enganam”, nunca essa frase fez tanto sentido para mim após o que aconteceu no meu ensino médio.

A história que vou contar é sobre um cara perfeito, ou pelo menos quase, que estudou comigo durante o ensino médio e que pude ter a honra de chamá-lo de amigo.

Seu nome era Marcos, na época tinha 16 anos e tinha entrado na escola naquele ano. Era alto, forte, atlético (até demais para sua idade), bonito e inteligente. Se dava bem com todas as garotas, todos gostavam dele, professores, coordenadores, diretores e todos os alunos.

Podia até não ser o gênio da escola, mas sempre se dava bem em todas as matérias, principalmente em educação física, claro. Sem contar que Marcos tocava violão e cantava com uma voz linda que encantava quem o ouvisse.

Todos ficavam sempre em volta dele, era como um Sol onde todos os outros, assim como eu, ficavam orbitando ao seu redor.

Quanto a mim, me chamo Arthur, eu era apenas um aluno normal com notas acima da média em matemática, química e física. Estava longe de ser um cara popular e era péssimo em todos os esportes. Eu era o tipo de aluno que a maioria dos colegas só lembram na hora de estudar para alguma prova ou para emprestar a matéria. Mas Marcos era diferente, se aproximou de mim mesmo sem precisar de nada.

Me sentia muito bem com Marcos, além do mais, quando estava com ele, terminava sendo chamado a todas as festas, sempre acompanhando Marcos, que era figura obrigatória em qualquer festa.

E foi justamente em uma dessas festas que aconteceu algo inusitado. Estávamos todos felizes, alguns bebendo, outros dançando e Marcos, como sempre, roubando a cena. Todas as garotas queriam ficar com ele, mas Marcos ficava sempre com as mais bonitas e talentosas.

Ele não fazia isso para se gabar ou coisa do tipo, pelo contrário, Marcos sempre foi extremamente discreto em todos os seus relacionamentos. E não foi diferente nessa festa com Carla, ambos saíram de mãos dadas para um canto discreto e ninguém viu, apenas eu, que sempre estava de olho em Marcos.

Depois de mais ou menos uma hora, Marcos volta estranhamente ainda mais lindo que antes, mas não vi mais a garota que estava com ele.

A festa acabou, todos já estavam indo embora, inclusive Marcos e eu. Foi quando deram falta de Carla, a garota que eu tinha visto saindo com Marcos.

Todos começaram a procurá-la, mas tudo o que encontraram foi uma senhora aparentando ter uns 90 anos, totalmente catatônica que estava com as mesmas roupas, assessórios e enfeites que Carla estava usando. Mais tarde, constatou-se que aquela velha era Carla, mas estava coma profundo sem poder dizer o que aconteceu.

Depois disso, várias especulações sobre o que aconteceu começaram a surgir, desde experiência alienígena, até programas ultra secretos do governo com radiação. Mas a verdade é que ninguém sabia o que aconteceu e todos estavam assustados.

O fato de eu saber que, muito provavelmente Marcos teria sido o último a ter estado com ela, me deixava inquieto. Cheguei a perguntar para ele se sabia alguma coisa, mas ele disse que não.

Passados alguns dias, todas as turmas do ensino médio foram à uma excursão em uma reserva ambiental. Lá, nós faríamos trilha, entraríamos em cachoeiras, acamparíamos etc. Estava muito divertido. À noite, Marcos com seu violão em volta da fogueira, tocava para todo mundo.

Foi durante uma caminhada entre as árvores que, mais uma vez, algo muito estranho aconteceu. Estávamos todos descansando em meio às árvores e preparando algo para comer após uma longa caminhada, então vi Marcos se afastar do grupo e logo atrás dele Juliana, uma das meninas mais lindas e inteligente da escola.

Me lembrei do ocorrido na festa e resolvi segui-los. Avistei de longe entre as árvores os dois se beijando, até aí tudo muito natural, mas os cabelos negros de Juliana começaram a ficar brancos, sua pele começou a enrugar, seu corpo foi perdendo a forma esbelta que tinha, ao mesmo tempo que enfraquecia. Quando ela estava quase desfalecendo, Marcos a segurou e continuou a beija-la, pude ver os olhos de Juliana ficarem fundos e sem vida, era como se Marcos estivesse sugando toda a vida de Juliana. Eu nunca havia visto nada parecido.

Antes que ele terminasse, saí de lá correndo e voltei ao acampamento.

Um milhão de coisas passaram pela minha cabeça, o que Marcos era? Seria um tipo de vampiro ou coisa assim? Eu não sabia o que fazer.

Quando Marcos voltou, estava ainda mais lindo que antes. Estava todo revigorado, nem parecia que tinha acabado de fazer uma enorme caminhada.

Foi aí que algumas coisas começaram a fazer sentido. Era como se Marcos se alimentasse da força vital das pessoas. Será que era só isso que ele sugava? Faria certo sentido se ele sugasse as aptidões de cada pessoa, explicaria o fato dele ser bom em tudo, explicaria o fato dele ser tão seletivo com as pessoas que beijava. Fiquei pensando no que vi a noite toda, mas em nenhum momento fiquei com medo de Marcos ou o julguei, eu apenas queria entende-lo.

Não demorou muito para todos sentirem a falta de Juliana. Fizeram várias buscas para acha-la, mas tudo que encontraram foi uma velha que estava com as mesmas roupas de Juliana e que mais tarde contatou-se que se tratava da própria.

Foi um choque para todos e a excursão foi cancelada. Todos voltaram para casa com um enorme pesar, já que algo horrível tinha acontecido com uma querida amiga.

As especulações só aumentaram: o que estaria acontecendo com os alunos da escola?

Comecei a pesquisar sobre casos parecidos e, para minha surpresa, descobri que coisas do tipo já tinham acontecido com outras pessoas em outros lugares. Em cada lugar que isso aconteceu, ocorreram três ou quatro casos no máximo, até que acontecessem em outro lugar depois de alguns anos. As ocorrências de um lugar ao outro, sempre tinham um intervalo de quatro a cinco anos e o último ocorrido foi justamente a quatro anos.

Pesquisei sobre as pessoas que passaram por aquilo e percebi que todas elas tinham um perfil parecido: eram pessoas bonitas, inteligentes ou com algum talento específico.

Na lista das vítimas estavam: cantores, atores, atletas, técnicos de alguma área específica, etc.
Tudo que eu conseguia pensar era que fazia muito sentido Marcos ter escolhido a dedo cada uma daquelas pessoas. Qualquer pessoa em meu lugar ficaria horrorizado ou com medo, mas estranhamente tudo que passava pela minha cabeça era que já tinham acontecido dois casos na cidade e que, com mais um ou dois casos, Marcos iria embora para outro lugar bem longe e que eu não o veria mais. Sei que é absurdo o que eu estava pensando, mas não conseguia pensar em outra coisa, me sentia uma pessoa péssima por isso. Eu ficava olhando as fotos das “vítimas” no computador e pensava em como eram sortudas por terem de alguma forma, chamado a atenção de Marcos, ou por terem sido considerados dignos por ele. Me olhava no espelho e me perguntava, será que ele me escolheria? Sei o quanto era bizarro pensar isso mas era inevitável.

Comecei a seguir cada passo de Marcos, queria contar que sabia de tudo e que não precisava ir embora e que, se mesmo assim ele quisesse ir, que me levasse junto, mas não tinha coragem.

No outro dia, Marcos ficou até mais tarde na escola após a aula e disse que eu poderia ir para casa sozinho pois tinha que tirar algumas dúvidas com a professora. Eu me despedi, mas fiquei mas fiquei vigiando de longe. Todos já haviam saído, só ficaram Marcos e a professora Janaína.

Eu fiquei espiando atrás da porta e pude ver quando Marcos começou a massagear os ombros da professora e a beijar sua nuca com o consentimento dela.

Até que, em pouco tempo, os dois estavam se beijando em um caloroso beijo de língua. Não demorou muito para acontecer com ela o mesmo que aconteceu com Juliana. A pele da professora começou a enrugar, seus cabelos ficaram brancos e seu rosto, que antes era cheio de vida, tornou-se seco, pálido. Seus olhos ficaram fundos. Não demorou muito para que ela desfalecesse e caísse como se estivesse morta. Marcos a colocou deitada em cima da mesa e saiu indo em minha direção, eu queria sair de lá mas fiquei imóvel. Marcos abriu a porta e me viu espiando, me olhou bem nos olhos, depois se aproximou de mim, me disse adeus e saiu sem olhar para trás. Eu não consegui dizer nada, só fiquei ali parado, deixando que ele fosse embora para sempre.

Depois de alguns minutos caiu minha ficha, eu não podia deixa-lo ir. Peguei minha bicicleta e corri para sua casa, mas já não havia nada e nem ninguém. Então corri e peguei um atalho para a única estrada que levava a saída da cidade. Pedalei o mais rápido que pude em meio a chuva que começara.

Quando cheguei próximo a saída da cidade, não demorou muito para que Marcos chegasse dirigindo um carro, que ele mesmo dizia que era de seu pai. Desci da bicicleta e fiquei bem no meio da estrada com os braços abertos.

Marcos parou o carro e desceu vindo em minha direção. Mais uma vez não consegui dizer nada, mas Marcos entendeu tudo olhando no fundo dos meus olhos, então ele se aproximou de mim e me beijou. Pude enfim realizar meu sonho e enquanto Marcos me beijava, pude sentir minha força sendo drenada, senti minha força indo toda embora. Eu estava morrendo, mas antes de me matar Marcos parou, me pegou no colo, me deixou no acostamento e antes de partir falou em meu ouvido:

— Adeus meu amigo.

Em seguida entrou no carro e partiu para sempre.

Envelheci uns 60 anos naquele momento, nunca contei a ninguém o que aconteceu naquele dia, que foi o mais feliz e ao mesmo tempo o mais triste de toda minha vida.

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