Brincando com o Desconhecido [História de Terror]

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Quando um grupo de jovens resolve passar seu tempo ‘Brincando com o Desconhecido’, algo de muito errado pode acontecer, muito errado.

Sexta-feira, 23h50min. Acenderam algumas velas vermelhas pelos cantos da sala, sete amigos sentados formando um círculo e, no centro deles, uma tábua contendo o alfabeto, todos os números de 0 a 9 e um SIM e um NÃO. Temerosos, mas excitados com o que poderia acontecer, olham um na face do outro. Com um sinal de concordância dado por Michel, o mais velho entre eles, Rafael colocou sua mão sobre o copo virgem que se encontrava com a boca para baixo sobre a tábua:

-Tem alguém aí? Tem alguém aí?

Nada aconteceu. Nenhum movimento do copo, apenas uma tremedeira causada pela mão do jovem Rafael. Todos olhavam em volta, sentindo um calafrio que lhes percorriam pela espinha. Um leve vento frio entrou janela adentro. Núbia, a única garota do grupo, pediu para pararem, mas foi alvo das chacotas de Michel:

– Sabia que não deveríamos trazer uma mulher com a gente!

– Está com medinho?

– Corre para debaixo da saia da mamãe e deixe que os homens continuem aqui.

Núbia abaixou sua cabeça, encobrindo sua vergonha, mas não se levantou. Na verdade, todos ali estavam com medo, mas nada diziam com medo das gozações de Michel. Sob a ordem dele, Rafael voltou a pôr a mão sobre o copo e novamente questionar:

– Tem alguém aí? Tem alguém aí?

A janela bate quase derrubando a parede; um vento forte e gélido corre por entre a sala como se em círculos; as luzes piscam. Núbia foi tomada por um desespero. Chorava e, aos gritos, pedia que parassem com aquilo, mas não foi ouvida. Rafael, também amedrontado, tentou tirar a mão do copo, mas foi impedido pelas mãos de Michel:

– Vai, continua! Continua!

Núbia se levantou aos prantos e correu para a cozinha. Seu pavor estava totalmente fora de controle. Rafael, ainda obedecendo ao amigo, continuou:

– Tem alguém aí?

Antes que perguntasse novamente, o copo se moveu: SIM. Todos ficaram paralisados. As mãos trêmulas de Rafael já não conseguiam mais segurar o copo. Todos os seis se juntaram ainda mais, um se se encostando ao outro, espremidos em seus medos, mas atentos à tábua. Rafael, em soluços, voltou novamente a questionar:

– Quem é você? Quem é você?

O copo voltou a mexer indo em direção aos algarismos. Tomados pelo medo e pela curiosidade, eles fixaram os olhos na tábua, enquanto o copo continuava a se mover: E, U, P, E, D, I, P, A, R, A, P, A, R, A, R, E, M, Michel repetiu a frase soletrada:

– Eu pedi para pararem…?

Todos olharam em direção à cozinha, para onde Núbia teria corrido, mas se depararam com a jovem em pé atrás deles, segurando uma faca de cozinha nas mãos. Com um só golpe, cortou a garganta de Michel, jorrando sangue em todos os outros. Rafael se levantou em direção da amiga tentando segurá-la, mas a força da jovem, naquele momento, era insana. Atirou Rafael na parede e lhe estocou a faca na barriga. Os outros se agruparam no canto da sala, aos berros. Queriam correr pra fora, mas Núbia estava posicionada na única passagem possível.

Os berros que vinham da casa chamaram a atenção dos vizinhos. Um deles, mais do que depressa, chamou a polícia, que chegaram 30 minutos depois. Quando já não se ouvia mais nada vindo de dentro da casa, uma multidão se formou defronte à residência. Com o aparecimento da polícia, todos queriam saber o que tinha acontecido. Um dos policiais abriu a porta da sala com os pés. Deparou-se com Núbia sentada no sofá, coberta por pedaços de corpos e sangue. Em estado de catatonia apenas repetia a frase:

– Eu pedi para eles pararem! Eu pedi para eles pararem! Eu pedi…

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História de Terror: Brincando com o Desconhecido

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