Em 24 de fevereiro de 2023, Christine Banfield, enfermeira de 37 anos, e Joseph Ryan, de 39, foram mortos na casa da família Banfield, na região de Reston, Virgínia, nos Estados Unidos. A investigação levou à condenação de Brendan Banfield, marido de Christine e ex-investigador da Receita Federal americana, e à condenação de Juliana Peres Magalhães, brasileira que trabalhava como babá da filha do casal.
Segundo a acusação, Banfield e Juliana mantinham um relacionamento e elaboraram um plano para matar Christine e fazer parecer que Joseph era o responsável. Em fevereiro de 2026, um júri considerou Banfield culpado de duas acusações de homicídio qualificado, uso de arma de fogo durante um crime e exposição de uma criança ao perigo. Comunicado do Ministério Público de Fairfax
Como Joseph Ryan foi atraído à casa
A investigação apontou que um perfil falso, criado com a identidade de Christine em uma plataforma voltada a fetiches sexuais, foi usado para conversar com possíveis interessados. Joseph Ryan teria aceitado o convite acreditando que participaria de um encontro consensual envolvendo uma fantasia sexual. Não sabia que, segundo a acusação, estava sendo atraído para uma armadilha.
Na manhã do crime, Juliana aguardou em um veículo com a filha do casal e teria avisado Banfield quando Ryan chegou. A criança foi deixada no porão da casa enquanto os adultos se dirigiam ao local onde ocorreram os assassinatos.
De acordo com a versão apresentada pela acusação e pela testemunha Juliana, Banfield esfaqueou Christine e atirou em Ryan; Juliana também disparou contra Ryan. A polícia informou inicialmente que encontrou Christine com ferimentos de faca e Ryan com ferimentos de arma de fogo. Departamento de Polícia do Condado de Fairfax
A versão inicial e as evidências da investigação
Após os disparos, os dois acionaram os serviços de emergência. A versão inicial apresentada às autoridades era de que Banfield teria encontrado um invasor atacando sua esposa e reagido para defendê-la.
A investigação examinou mensagens, dispositivos eletrônicos e vestígios forenses da residência. A acusação sustentou que as evidências contradiziam a narrativa de legítima defesa e indicavam uma tentativa de fazer Ryan parecer o agressor.
Em outubro de 2024, Juliana se declarou culpada de manslaughter pela morte de Ryan — uma categoria de homicídio prevista na legislação da Virgínia. Como parte do acordo, comprometeu-se a colaborar com a acusação e testemunhar contra Banfield. Durante o julgamento, a defesa questionou sua credibilidade por causa do acordo, enquanto Banfield negou ter planejado os assassinatos e afirmou que atirou para proteger a esposa. Comunicado sobre a declaração de culpa de Juliana
Condenações e penas no caso
O processo teve dois desfechos principais:
- Brendan Banfield: em 2 de fevereiro de 2026, o júri o considerou culpado de duas acusações de homicídio qualificado, uso de arma de fogo durante a prática de um crime e exposição de uma criança ao perigo. Em 5 de junho, ele recebeu prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, além de oito anos pelas outras condenações. Associated Press sobre a sentença
- Juliana Peres Magalhães: em 13 de fevereiro de 2026, ela foi condenada a dez anos de prisão por sua participação na morte de Joseph Ryan. O Ministério Público havia recomendado uma pena equivalente ao tempo já cumprido, mas a juíza impôs o máximo permitido para a acusação aceita no acordo. Comunicado do Ministério Público de Fairfax sobre a sentença
Em julho de 2026, Banfield apresentou recurso contra a condenação e a sentença, segundo informações divulgadas pela imprensa local. FOX 5 DC
As consequências para as famílias
Christine deixou uma filha pequena. Joseph, segundo a acusação, foi à residência acreditando que participaria de um encontro consensual e acabou morto. Para as famílias, as sentenças encerraram uma etapa do processo, mas não desfizeram as perdas.
Nota de apuração: este artigo distingue as alegações apresentadas pela acusação e pelo testemunho de Juliana das decisões do júri e da Justiça. Brendan Banfield recorreu da condenação; o andamento do recurso pode alterar a situação processual.