O Homem da Casa

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Faz tempo que meus pais não voltam. Saíram pra fazer compras e ainda não chegaram, mamãe reclamou do carburador do carro que estava com problemas mas papai ignorou. Tenho que avisar a eles que tem um estranho aqui em casa. O homem usa a casa como se fosse dele, como se ele fosse o dono e isso me irrita.

Escondido atrás dos móveis eu grito pra ele ir embora, faço barulho, jogo coisas nele, derrubo objetos quando ele está por perto, já o fiz sangrar uma vez e ele não vai embora de nossa casa, esse maldito invasor.

O intruso sabe o meu nome não sei como, será que ele viu minha toalha bordada no banheiro e por isso agora sabe meu nome. Todo dia fala que é pra eu ir embora, que eu procure a luz. Eu não entendo o que ele quer dizer, não aceito a sua presença, deixa só meus pais chegarem, aí expulsaremos esse homem nem que precise chamar a polícia. Mas eles nunca retornam do supermercado, papai uma vez me disse que sem ele eu é que sou o homem da casa e irei protegê-la nem que eu tenha que matá-lo.

Não vou decepcionar papai e mamãe, a casa será protegida.

-Vá embora Pierre, aqui não e mais sua casa! – Agora diz a velha, a amiga dele, que não sei como consegue me enxergar e que também quer me expulsar do meu lar.

O lar que foi de vovô, agora é de papai, mamãe, da minha futura irmã, – sim mamãe está grávida – e meu também, papai fala:

“Nunca deixe esta casa Pierre, é nosso lar por gerações!”

Não irei decepcioná-lo papai, afinal de contas sou seu soldadinho. Papai sabe que eu nunca o decepcionarei e que eu como já lhe prometi:

Não deixarei os intrusos vencerem!

Encontrei Você Pierre!

-Eu sei que você está aí? Não se esconda de mim menino, deixe me ajuda-lo? Alícia fala olhando para um canto escuro e frio do quarto que ela dormia.

-Deixe me em paz! Logo meus pais chegaram e expulsaram você e seus parentes, sua menina feia!

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O fantasma do menino Pierre fala irritado para aquela criança atrevida e inoportuna que o incomodava.

-Você não pertence mais a este mundo Pierre, vá embora pra luz, seus pais te aguardam lá com seus brinquedos.

A garota ruiva e simpática lhe fala carinhosamente.

-Mentirosa! Você quer que eu saia para poder tomar conta da minha casa e ficar com ela, enquanto meus pais não chegarem não deixarei esta casa por nada!

O menino morto fala seriamente para Alícia.

-Seus pais já faleceram Pierre, você tem que ir para onde eles estão, siga a luz Pierre, sua família te espera lá! – Alícia fala procurando ajudar aquela alma atormentada.

-Menina feia e mentirosa! Meus pais só foram ao supermercado e logo irão voltar. Saia da minha casa! – O fantasma do menino grita e joga uma escova de cabelos que quase atinge a cabeça de Alícia por pouco.

-Procure a luz Pierre! Deixe me ajuda-lo, seus pais te esperam lá Pierre, vá de uma vez e não tenha medo. – Alícia lhe fala assustada e impaciente procurando ajudar.

-Você está querendo me enganar sua menina feia! Sou o “Soldadinho do papai” e protegerei esta casa de invasores como você e sua família! – Pierre lhe diz.

-O fim já chegou pra você Pierre, você já morreu, siga a luz, seu corpo foi encontrado aqui nesta casa congelado. Seus pais te esperam na luz, aceite a verdade Pierre! Eles nunca voltarão pois eles te esperam na luz! – Alícia fala procurando ajuda-lo a aceitar a verdade.

-O homem que morava aqui, eu o expulsei junto daquela velha que me chateava. Os dois contavam esta mesma mentira, essa conversa de luz, eu sou um bom soldadinho e minha missão é essa, proteger a casa de invasores.

Um pote de creme de mãos quase acerta a menina mais uma vez. Pierre estava nervoso com o que ela disse.

-Saia daqui menina feia ou irá sofrer as consequências. Sou o homem da casa enquanto papai não voltar!

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Pierre, depois de falar isso, chora sem parar e desaparece nos corredores escuros e frios daquele lar assombrado.

A garota Alícia sempre o via pela casa e cada vez mais o fantasma do menino ficava violento. Pierre começou a atacar sua família com muita agressividade todos os dias. Os pais da menina, assustados, já até cogitam em deixar aquela casa, até já preparam uma mudança, mas Alícia pede-lhes mais um tempo e fala que tudo se resolverá. Seus pais cedem mais para não incomoda-la.

Em uma madrugada naquela casa, Alícia vê Pierre ao lado de sua cama. O espírito assustado e infantil, lhe pergunta se é mesmo verdade o que ela disse sobre seus pais.

-Sim Pierre, é só você seguir a luz que os encontrará! Você consegue enxergá-la também meu amigo? – Alícia lhe pergunta com doçura nas palavras.

-Eu sempre a vi, mas tenho medo dela, e tenho também de proteger a casa dos invasores do meu lar. – Pierre lhe fala um pouco assustado e curioso.

-Venha comigo Pierre, seus pais te aguardam lá há muito tempo, siga a luz e seja feliz ao lado deles – Ela lhe diz convicta no que lhe relatou.

Pierre a seguiu até onde estava a luz e, ao se aproximar dela, mesmo assustado, ele escuta algumas vozes conhecidas. O garoto agora escutava o pai lhe chamar.

-Venha Pierre! Vamos lá soldadinho, há muito tempo esperamos por você. Sua missão acabou e você fez um bom trabalho. Papai está orgulhoso de você! Agora entre no carro, sua irmãzinha está para nascer Pierre!

O garoto escuta tudo, enxerga os pais naquela luz que não mais o amedronta, sorri pra Alícia, lhe agradece pela ajuda e se encontra com seus familiares que o abraçam e beijam muito. Pierre agora estava em paz!

Alícia observa aquela cena e uma lágrima chega a cair de seu rosto infantil cheio de pintinhas. Agora a garota médium não sente mais a presença de Pierre pela casa, Alícia fica feliz por ter ajudado o espírito!

Por: Fábio Irado

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