O Berro da Roseira

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o berro da roseira história de terror

Eu desejo, fortemente, que tudo o que eu presenciei minutos atrás, seja uma ilusão causada pelo excesso de bebida. Afinal, como tudo aquilo poderia ser real? E cá estou eu, mais uma vez, conversando comigo mesmo.

A atmosfera deste cemitério sempre me incomodou, mesmo durante o dia. Eu sempre fui cético; não acredito… não acreditava nessas baboseiras, mas, agora eu tenho minhas dúvidas. De uma coisa eu sei: eu nunca, jamais, andarei à noite pelo cemitério novamente.

Aquilo era mesmo um bode preto. Oh, com certeza, era! Ele surgiu do nada! Estava em cima do túmulo bem ao meu lado, quase encostando em meu braço; aquela coisa soltava faíscas da boca enquanto movia sua cabeça para cima e para baixo, bem próximo a mim! E aquelas covas? Eu podia ver a terra se movendo como as ondas do mar; um mar de terra de cemitério; aqueles movimentos davam a impressão de que alguma coisa iria sair de dentro das covas.

E os corvos! Sinistros! Pareciam estar zangados comigo; desgraçados! Me deram o maior susto com o barulho infernal que faziam. E eles me seguiam conforme eu corria, voando de sepultura em sepultura. Que noite terrível… corvos, bode preto… Ah! E os ratos, grandes ratos ligeiros, pareciam querer me atacar. Criaturas nojentas. Calma, respira… não há problema algum em falar sozinho; você está só, e mesmo que eu encontre alguém aqui, eu duvido muito que acreditariam em cada palavra que eu dissesse.

Preciso voltar ao meu aposento, mas, e a roseira que fica ao lado da porta? Nada me perturba mais do que aquela roseira, nem mesmo os vultos negros correndo entre as lápides, nem mesmo as gargalhadas que penetravam os meus ouvidos, nem o ser que me observava de cima dos galhos secos, com aqueles grandes olhos iluminados, dando a impressão de que iria pular em cima de mim assim que eu passasse por debaixo da árvore.

Ah, como eu poderia esquecer aquela cruz de ferro que ardia em chamas. Tudo é muito apavorante, e eu só queria ir para o meu aposento, mas aquele rosto… aquele rosto camuflado na roseira, envolto por rosas e espinhos, me observando e me impedindo de entrar no meu quarto. Aquele rosto vermelho me paralisou com seu olhar penetrante e intimidador; enormes olhos negros, sem esclera, havia somente a escuridão naquele olhar.

Se o demônio tem um rosto, era aquele rosto na roseira; um rosto humano, porém, de outra dimensão. Como esquecer o momento em que ele abriu sua enorme boca deixando aparente as trevas que havia em seu interior? Eu nunca vi uma visão tão maldita como aquela. E o berro que aquele rosto deu, ecoando por todo o cemitério, abrindo cada vez mais sua boca tenebrosa, berrando em agonia, um berro ardido seguido por um som idêntico a uma buzina de navio. Vamos lá, eu preciso voltar ao meu aposento, afinal, sou o coveiro deste cemitério; devo enfrentar qualquer assombração.

Vamos, você consegue, coragem! Falta pouco, só mais alguns segundos e eu vou estar em meu quarto. Mas que diabos é aquilo na minha porta? Por que aquele vulto está apontando naquela direção? Pelo jeito ele não vai me deixar entrar. Tudo bem… vou jogar o seu joguinho… eu vou em direção ao local que ele está apontando. Ele está me seguindo, não sei se corro. Tente não demonstrar medo, apenas obedeça. Não deixe o vulto furioso.

Bom, parece ser aqui o local que ele aponta. Por qual motivo ele me trouxe até esta sepultura?

Não! Não! Isso não é verdade! Isso é impossível!  Estão de brincadeira comigo? Parem de rir, parem! Seus desgraçados! Eu sou o coveiro daqui, enterrei três pessoas hoje à tarde, como posso estar morto há cinco dias? Quem colocou o meu nome nesta lápide? Eu não estou morto! Não estou! Não!!!

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Maycon Guedes

Maycon Guedes

Sou um escritor iniciante. Amante da Sétima Arte, música, vida noturna, arte e cultura em geral. Aspirante a cineasta.