A Boneca de Júlia

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Como bom pai, João sempre fez de tudo para agradar sua filha. Mesmo com o baixo salário, não deixava faltar nada para sua pequena. Era um pai atencioso e amoroso; do tipo que deixava de comer para que a esposa e a filha se alimentassem melhor.

Certa vez, Júlia, sua filha, pediu uma boneca, pois todas as suas amiguinhas tinham, menos ela. João sabia que não poderia comprar uma igual, então procurou uma versão mais barata, afinal, era só uma boneca sem atrativo algum, não falava, não tocava música, nada demais. Apenas vinha com um vestido que poderia ser trocado.

João procurou em diversas lojas uma boneca parecida com a desejada por Júlia, mas não encontrou. Então, resolveu procurar numa loja de brinquedos usados e encontrou uma igual à das amigas da filha. Pagou uma pechincha e muito feliz presenteou sua pequena, que amou o presente.

A boneca era linda. Tinha um vestido delicado que Júlia adorava trocar.
Com uma semana de uso, Júlia não brincava tanto com a boneca e isso deixou João bravo, afinal, o dinheiro era pouco e não podia ser gasto em algo que não seria usado.

Karen, esposa de João, notou que sua filha não estava comendo direito. Ao ser questionada, Júlia disse que era por causa da boneca. “A boneca disse que não preciso comer, porque pra onde vou não tem comida”, disse Júlia. Karen ficou assustada, pois sua filha nunca disse algo parecido.

Quanto mais tempo Júlia passava com a boneca, mais triste ficava; então, numa noite em que sua filha sofria com pesadelos, Karen tirou a boneca do quarto de Júlia e deixou do lado de sua cama. Certa hora da madrugada, João acordou sentindo algo em cima do seu corpo. Era a boneca. Karen ficou sem reação.

“Eu quero viver! Preciso viver com vocês”, gritou a boneca. Muito assustado e ainda sem acreditar no que estava acontecendo, João pegou o brinquedo, que acabara de ganhar vida e foi até a cozinha. Karen, preocupada, foi até o quarto de Júlia, e viu que sua filha estava dormindo.

João pegou uma tesoura e cortou a boneca em vários pedaços, até ela parar de gritar. Em seguida, fez uma fogueira e queimou os pedaços no quintal.

Pobre João, se soubesse que era a alma de Júlia presa naquela boneca, jamais a teria destruído, pois precisaria do corpo do brinquedo para recuperar sua filha, que perdera sua alma nas chamas da fogueira.


ESCRITO POR: Régis Di Soller

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