O Conto do Cemitério – Relato de um Coveiro

O conto do cemitério relato de um coveiro

Onofre era um velho coveiro que trabalhou durante toda a sua vida em um pequeno cemitério. A sua casa ficava bem no centro dele, como ele convivia com os mortos diariamente, nunca teve medo de assombrações, sequer acreditava em fantasmas.

Porém, uma noite ele estava caminhando pelo cemitério como de costume, pois muitos jovens costumavam se reunir lá durante a noite, bebiam e faziam a maior bagunça. Mas esta noite estava tranquila, era noite de lua cheia, ele quase não precisava usar a sua lanterna para iluminar o local.

Após caminhar por todo o cemitério, ele voltou para sua casa, Onofre sempre foi um homem solitário e morava sozinho, deitou em sua cama, pouco tempo depois ouviu alguém bater em sua porta. Quando ele abriu, para o seu espanto não havia ninguém. Neste momento ele achou que poderia ser alguma brincadeira de um dos jovens que frequentava o cemitério e não deu muita importância. Fechou a porta e foi para o seu quarto, quando olhou pela janela ele pode ver um velho senhor sentado em uma das sepulturas. Rapidamente, ele correu em direção a ele, mas de fora da casa ele não podia mais ver ninguém. Ao aproximar-se do túmulo verificou que havia a foto de um homem velho, parecia ser o mesmo que havia visto pela janela. Então ele pensou que poderia ser a sua imaginação e quando virou de costas para o túmulo para voltar para casa ele deu de frente com o velho homem. O mesmo da foto, ele ficou amedrontado e começou a rezar e pedir para que o homem fosse embora. Mas o velho senhor insistia em bloquear a sua passagem e lhe disse que aqueles garotos haviam feito algo terrível em sua sepultura, disse que não tinham respeitado o seu descanso e que todos morreriam um por um, pois o que eles tinham feito era imperdoável, após dizer tudo isso ele simplesmente desapareceu.

Onofre correu até a sua casa e trancou a porta, não conseguiu dormir durante toda a noite. No dia seguinte um carro funerário entrou no cemitério e foi direto até a capela onde eram realizados os funerais. Os funcionários preparavam o velório e quando ele entrou na capela ficou espantado ao ver que o corpo que estava ali era de um dos jovens que frequentava o cemitério. Aos poucos, parentes e amigos do jovem chegavam para o funeral.

Os outros dois jovens que costumavam frequentar o cemitério, outro garoto e uma garota, também chegaram pouco tempo depois. Foi então que Onofre se dirigiu até eles e perguntou o que eles haviam feito no túmulo do velho senhor. Os jovens ficaram espantados com a pergunta do coveiro e se recusaram a responder. Onofre insistiu, disse ainda que eles corriam grande perigo e lhes contou o que havia ocorrido no cemitério na noite anterior.

Os jovens ficaram atormentados após ouvirem o relato do coveiro e correram para fora do cemitério, não esperaram sequer o enterro do amigo deles.

Após o jovem ser enterrado, onofre voltou para sua casa, tomou banho e ao entrar em seu quarto pôde observar o fantasma do velho sentado em sua sepultura, ele sorria de uma forma assustadora e sarcástica.

Passaram-se alguns dias e nada de estranho aconteceu no cemitério. Porém uma certa manhã, o carro funerário entrou no cemitério, desta vez quando ele entrou na capela observou que os funcionários da funerária colocaram um caixão lacrado na capela, após alguns minutos ele pode ver um quadro que foi posto ao lado do caixão, a fotografia era do outro garoto.

Ele acompanhou todo o funeral aguardando que a garota aparecesse, porém o corpo foi enterrado e ela não apareceu. No dia seguinte pela manhã a garota bateu em sua porta, ela chorava muito e implorava pela ajuda do coveiro, pois ela sabia que seria a próxima.

Onofre falou que só poderia ajudar se ela contasse o que eles haviam feito na sepultura durante aquela noite. Neste momento a garota começou a lhe relatar o que aconteceu, porém implorou para o coveiro não contar nada a ninguém, pois o que eles haviam feito era algo muito terrível.

A garota disse chamar-se Larissa, afirmou que os jovens estudavam na mesma escola e eram todos colegas de sala. Relatou que os três gostavam de frequentar o cemitério a noite, onde todos bebiam e contavam histórias de terror.

Certa noite, Maurício propôs um desafio, tratava-se do seguinte, quem conseguisse o objeto mais assustador do cemitério ganharia a aposta. Porém os objetos somente poderiam ser revelados após saírem do cemitério já na casa de um deles.

Foi então que todos foram até o apartamento de Larissa, pois os seus pais estavam viajando, logo ela revelou que havia subtraído um vaso de flores, já Marcos revelou que havia pegado a foto de uma mulher de uma das sepulturas, em seguida, Maurício revelou uma sacola de pano, quando os jovens viram o que estava dentro dela, ficaram atormentados, pois Maurício retirou um crânio de seu interior.

Neste momento, Larissa e Marcos ficaram furiosos com Maurício e imploraram para que ele devolvesse o crânio para a sua respectiva sepultura. Ele logo concordou, bem como todos eles decidiram devolver os objetos ao cemitério, porém devolveriam durante a noite para que ninguém pudesse ver o que eles haviam feito. Ao conversarem, descobriram ainda que os objetos eram de duas sepulturas que estavam lado a lado. A fotografia era da esposa do velho senhor que assombrava o cemitério, o mesmo relatado pelo coveiro, o crânio era do esposo e as flores eram de ambos os túmulos.

Alguns minutos depois, o telefone do apartamento de Larissa tocou, ela escutou a voz de uma mulher que perguntou se ela gostava de flores, em seguida, perguntou se o seu amigo Marcos gostava de fotografias, logo após o telefone ficou mudo.

Os jovens pensaram que aquilo poderia ser algum tipo de brincadeira de alguém que poderia ter visto o que eles fizeram, mas ao mesmo tempo ficaram assustados ao imaginar que poderia ser a mulher da foto que estava sepultada no cemitério.

Todos foram para suas casas, no dia seguinte logo pela manhã, Larissa recebeu uma ligação de Marcos, que lhe contou que Maurício havia sido encontrado enforcado pela sua mãe durante a madrugada em seu quarto.

Os dois foram diretamente acompanhar o funeral de seu amigo, ambos estavam inconformados e se questionavam o porquê Maurício havia tirado a própria vida. Neste momento o coveiro aproximou-se, conversou com eles e os dois saíram completamente assustados do cemitério.

Passaram-se alguns dias e Larissa não havia mais conversado com Marcos. Uma certa madrugada, Larissa ouviu o barulho de sirenes, olhou pela janela e observou diversas ambulâncias e carros de polícia no prédio de Marcos, que era em frente ao seu. Logo em seguida, ela trocou de roupa e conseguiu entrar no prédio de Marcos durante toda aquela confusão, ao aproximar-se dos paramédicos, ela se assustou ao ver que era o corpo de Marcos que estava caído no local, ele havia se jogado do décimo quinto andar do edifício. Ele estava irreconhecível, pois a sua cabeça explodiu ao chocar-se contra o solo e haviam miolos por toda a parte. Larissa voltou muito triste e assustada para o seu apartamento. Não conseguiu dormir durante a noite toda e não teve coragem de ir ao funeral de seu amigo. Mas decidiu procurar pelo coveiro, ela não tinha outra alternativa e teria que contar o que eles haviam feito naquela noite, pois ela sabia que seria a próxima e talvez Onofre seria o único que poderia ajudar.

O coveiro perguntou onde estavam os objetos furtados do cemitério, Larissa respondeu que eles estavam em um quarto no piso térreo de seu prédio, onde alguns moradores usavam de depósito para guardar objetos.

Ele disse para que ela os pegasse imediatamente e que retornasse ao cemitério. Larissa correu ao seu prédio, colocou os objetos em uma sacola e retornou ao cemitério. Lá acompanhada do coveiro eles caminharam em direção às sepulturas, lá ele colocou o crânio dentro do caixão do velho homem que estava violado, em seguida colou a fotografia no túmulo da esposa do velho e colocou o vaso com as flores já secas entre ambas as sepulturas, porém colocou também outro vaso com flores novas entre os túmulos. Neste momento o coveiro acendeu 2 velas e pediu para que Larissa rezasse com ele em pedido de perdão, ao terminarem a oração, emocionada Larissa pediu perdão em voz alta, em seguida uma forte brisa passou pelos dois, porém as velas continuaram acesas e Onofre disse que provavelmente eles teriam aceitado o pedido de perdão de Larissa.

Vários dias se passaram e muitos funerais foram feitos no cemitério, Onofre acompanhava todos e ficava aliviado ao saber que nenhum corpo velado era de Larissa. Algum tempo depois ele recebeu a notícia de que ela estava viva e bem.

Muitos anos se passaram do ocorrido, Larissa continua viva, mas o coveiro não costuma mais fazer as suas rondas noturnas no cemitério, pois sempre que caminhou no local durante a noite e olhou pela janela, ele avistou os dois jovens mortos que estão condenados a vagar pelo cemitério entre o mundo dos vivos e dos mortos.

Autor: Alan F. Rissi

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