Catarina

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no whatsapp
catarina história de terror mundo sombrio

Aquele casal apaixonado só não era totalmente feliz pois não conseguia ter filhos. Casados já há algum tempo, viviam esta frustração. Clínicas de fertilização, médicos especialistas, muitos exames dolorosos e tratamentos demorados, além de muitos gastos e expectativas… A mulher fazia promessas aos santos e as vezes se pegava maldizendo a todos eles e duvidando por vezes da existência Divina quando chegava sua menstruação.

Todas as suas amigas já tinham filhos, menos ela. Era frustrante! Humilhante! Assumidamente invejava-as. E assim o tempo passava…

Após quase perderem as esperanças, foram agraciados com a tão sonhada gravidez. Era o momento mais feliz de suas vidas! Iniciando-se após a descoberta do sexo do bebê, seu mundo cor de rosa… Em pouco tempo, a felicidade virou preocupação. A gravidez iniciou-se muito complicada. Sangramentos e cólicas resultando em repouso absoluto no leito. Hipertensão. A mãe que era de um todo saudável, passou a ter pressão alta.

Os enjoos que eram comuns somente no início da gestação, foram até quase que o final da mesma. Ela não curtiu aquela gravidez tão esperada. Permaneceu apreensiva e torcendo a todo momento desesperadamente para que desse certo. Não havia sossego, não dormia, não ficava em paz com medo de perder seu bebê. Passou quase todo o período gestacional internada e/ou em repouso em casa. Contava com a ajuda de sua mãe, que passou a residir com o casal devido aos problemas de saúde da filha desenvolvidos durante a gravidez.

Depois de um parto que também fora complicado, pois perdera muito sangue na cesariana realizada, nasceu Catarina. Uma linda menina forte e robusta. Sua mãe, apesar de debilitada após o parto, não se continha de tanta felicidade. Todos estavam radiantes com o nascimento daquele bebê.

Já em casa, após a alta hospitalar, Catarina era um bebê que tinha um sono agitado, dormia pouco e chorava muito, quase não dando descanso a sua mãezinha. Chorava muito. Exames eram feitos e a resposta dos pediatras era de que nada tinha de anormal com a criança.

Sua mãe perdia noites de sono, ficava exausta apesar da ajuda que recebia de seu marido e de sua mãe. O bebê só queria ficar no peito e durante o dia dormia tranquila. Catarina então foi crescendo e desenvolvendo-se normalmente e, por ser filha única, era cercada de mimos e cheia de presentes e vontades.

Ao completar 4 anos, ganhou um cachorrinho de seu pai. Ficou muito contente com o presente, brincava com o bichinho durante o dia todo. Dias depois, Catarina foi de encontro aos seus pais chorando e referindo que o cachorrinho havia caído da janela do segundo andar. Eles a consolaram e disseram que tinha sido um lamentável acidente…

Catarina adorava fazer brincadeiras. Amarrou um fio de náilon na escada de casa, onde sua avó tropeçou, rolando da mesma e ficou seriamente ferida. Ela teve fraturas por todo o corpo e traumatismo craniano. Houve cirurgias, a idosa ficou internada e posteriormente permanecendo restrita à uma cadeira de rodas e com sequelas neurológicas, não mais falava.

Catarina cuidava bem de sua pobre avozinha acamada. Um dia, a mãe chegando ao quarto da avó, que encontrava-se dormindo, viu que Catarina estava ajeitando seu travesseiro cuidadosamente … “Tadinha da minha filha, como é dedicada!, pensava orgulhosamente a mãe da menina.

Mais tarde, naquele mesmo dia, a pobre senhora veio a falecer para tristeza de todos, principalmente de Catarina, que ficou muito triste com a morte da avó, pois fazia muita companhia à ela. Durante a noite, olhava para o céu, sentada no colo de seu pai e mostrava-lhe a estrelinha na qual a avó se transformara…

Catarina quase não tinha amigos, as crianças a rejeitavam. Ela batia, mordia e ameaçava os coleguinhas da escola. Causava intrigas e fazia com que ficassem de castigo inventando coisas para a professora. Tanto na escola como na vizinhança, as crianças não gostavam dela, a ignoravam, não a deixando entrar nas brincadeiras e, quando entrava, alguém saía machucado ou alguma briga acontecia.

Seus pais não entendiam o porquê de as crianças boicotarem a tão doce garotinha deles. Catarina chorava, era sempre vitimada e injustiçada. Mas dizia não se importar, pois tinha suas bonecas. Para abrandar e tentar agradá-la, enchiam-na ainda mais de mimos.

Achando que a menina precisava de companhia, adotaram um bebezinho, temendo uma outra gravidez complicada. Catarina adorou a chegada do irmãozinho do coração e dizia que o bebê seria só dela. Gostava muito de ajudar a mãe a cuidar dele. Ajudava a mãe a trocar as fraldas, a alimentá-lo, cantava para ele dormir…

Naquele dia, a empregada faltara. Sua mãe encontrava-se cheia de afazeres domésticos pendentes e mais o bebê para cuidar. A mãe dava banho no bebê na banheira e Catarina ofereceu-se para ajudar, enquanto sua mãe foi à cozinha verificar suas panelas no fogo. Alguns minutos se passaram e Catarina correu até a mãe e disse-lhe que havia algo errado com o bebê. A mãe encontrou o bebê já cianótico, ou seja azulado na banheira. Chamaram socorro médico, mas nada se pode fazer. Foi um “terrível acidente”, uma fatalidade…

Todos lamentaram muito a morte do bebê, especialmente Catarina. Os pais desolados e cansados, sentados no sofá da sala após o sepultamento da criança, receberam então o abraço de sua filhinha querida que disse num tom meigo e consolador:

“NÃO CHOREM PAPAI E MAMÃE, EU VOU CUIDAR DE VOCÊS!”


ESCRITO POR: Silvia Restani

ADAPTADO POR: Mundo Sombrio

Leia Mais Histórias de Terror Assustadoras
Mundo Sombrio

Mundo Sombrio

Histórias de Terror, Lendas Urbanas, Creepypastas, Relatos Sobrenaturais, Vídeos e muito mais. Mundo Sombrio: O Melhor do Terror para Você!