Não Olhe Para Trás

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não olhe para trás história de terror mundo sombrio

Antony sempre foi muito trabalhador, dedicava-se ao máximo para dar uma boa vida à sua esposa e seus dois filhos. Sempre acreditou que um dia realizaria seu maior desejo, o de comprar uma grande casa, pois a que moravam já estava pequena para sua família após a chegada do filho mais novo, Enzo, que agora dormia junto dele e sua esposa, mas em breve precisaria de um quarto só para ele uma vez que o outro quarto era ocupado pela sua irmã Laura de seis anos.

Enzo já estava com três meses de vida, e Antony prometeu para sua esposa que antes do caçula completar um ano, iriam se mudar para uma casa maior e mais confortável, onde haveria quartos para todos e um extra para hóspedes.
O tempo já estava passando, agora Enzo com 8 meses e a família MCrey continuava na pequena casa apertada, no Sul do Estado.

Certo dia, no final do expediente, Antony foi chamado para uma conversa na sala de Raul, diretor da empresa. Então, o funcionário dedicado foi até a sala do seu chefe para ouvir o que ele tinha a lhe falar.

– Boa tarde senhor Raul, vim assim que terminei minhas obrigações do dia, desculpe por me atrasar alguns minutos.

– Olá, Antony, não tem problema, serei breve no que tenho a falar com você.

Antony ficou preocupado, pensou no pior, na demissão, sua fisionomia mudou, um ar de preocupação com misto de tristeza tomaram conta dele, mas seu chefe ao perceber, falou:

– Por que essa cara de preocupado? Te chamei aqui porque estou te promovendo, agora você será nosso novo coordenador da filial que abrimos semana passada no Norte do Estado! A menos que você não queira.

– Quero sim, e pode ter certeza que o senhor não irá se desapontar, darei o meu máximo!

Raul explicou tudo para o novo coordenador da filial Norte, salário cinco vezes maior, uma casa nova para ele e sua família, não com quatro quartos, mas cinco, um a mais do que Antony desejava, e ainda com uma piscina e um grande pátio para as crianças brincarem. Era perfeito, até que seu chefe mencionou um pequeno detalhe:

– Você também ganhará um carro, a altura do seu novo cargo, entretanto, há um empecilho, o vilarejo onde você irá morar não tem estrada de acesso para carros até a estrada principal que leva ao Centro e demais locais da cidade. É um vilarejo antigo, porém, todo reformado para os trabalhadores da empresa, sua casa é a maior e mais bonita, mas por enquanto o acesso é uma trilha no meio da mata, sem iluminação, estamos esperando liberação da administração da cidade para construirmos uma estrada de asfalto e colocar postes com luz, deve levar algum tempo, por enquanto haverá este probleminha que você, sua família e os demais moradores do vilarejo terão que encarar. Por isso o horário de final de expediente é antes do sol se pôr, dezesseis horas, dessa forma todos estarão em casa antes do anoitecer. Mas no vilarejo há iluminação, instalamos um gerador, tem força suficiente para iluminar o local, porém, não foi possível estender para o meio da floresta, como eu disse, estamos aguardando autorização para isso.
Antony ficou pensando por alguns segundos, era tudo maravilhoso, melhor do que ele imaginava, não seria uma estrada sem iluminação e acesso para carros que o faria dizer não ao convite do seu superior.

– Aceito!

– Ok, pegue suas coisas, sua mudança será em dois dias, não se preocupe com nada, iremos contratar uma empresa para levar suas coisas e dos demais moradores do vilarejo que irão trabalhar na empresa.

– Senhor, posso fazer uma pergunta?

– Sim, Antony.

– Falando em mudança, pensei agora, como irão levar nossas coisas até a nova casa se esse tal caminho não permite acesso para carros, logo não permite para caminhões, como farão isso?

Com uma gargalhada Raul responde, – Hahaha! Não se preocupe com isso, apenas arrume suas coisas que a empresa de mudanças fará o restante, até porque é somente um quilômetro entre a trilha na floresta e o vilarejo.

– Nossa! Tudo isso? Pensei que fosse uma distância menor… bom, não importa.

Cinco dias depois, a família MCrey já estava em sua nova residência, o vilarejo todo reformado estava lindo, todos moradores daquele lugar estavam muito felizes. Sara, esposa de Antony ficou maravilhada com sua nova casa, além de cuidar dos filhos e dos deveres domésticos, ela também era responsável pela horta do vilarejo. Já no primeiro dia na nova casa, ela conheceu Lauren, uma mulher de olhos castanhos, pele clarinha e longos cabelos negros, elas eram muito parecidas e logo ficaram amigas.

A empresa logo iniciou as atividades, já estava tudo organizado. No primeiro dia, Antony, às dezesseis horas, ao ouvir a sirene que anunciava o fim do expediente, pegou suas coisas e foi embora. Foi conversando com outros dois colegas de trabalho até o estacionamento, cada um entrou em seu carro, então, foram embora. Ao chegar no final da estrada, lá estava a longa trilha, lá havia um grande pátio onde os moradores do vilarejo deveriam deixar seus carros e seguir caminho a pé.

Era um lugar muito bonito, cheio de enormes árvores, com uma passagem entre elas, uma trilha estreita, onde era possível somente duas pessoas lado a lado caminhar. Conforme as pessoas do vilarejo iam chegando para atravessar a floresta, caminhavam em duplas até chegar em casa, assim, novas amizades e conversas surgiam naquele trajeto.

Antony foi um dos primeiros a passar por ali, não havia percebido pela manhã o quão lindo era aquele caminho, porque de manhã cedo ele estava muito ansioso por ser o primeiro dia como coordenador da nova empresa, por isso, não prestou muita atenção, mas agora na volta, não parava de admirar o local, e enquanto isso, conversava com um de seus vizinhos e agora colega de trabalho, Dylan, vindo da Filial Oeste.

As duas primeiras semanas foram ótimas, mas Antony queria impressionar seus superiores da Filial Sul, então, resolveu ficar mais tempo no trabalho para adiantar suas tarefas e produzir mais. No primeiro dia de hora extra nem percebeu que já havia escurecido, abriu a cortina de sua sala e olhou para a rua, se assustou, pois o sol havia trocado de lugar com a lua. O relógio apontava oito da noite. Antony rapidamente pegou suas coisas e foi embora. Na estrada, acelerou seu carro o máximo permitido, e quando chegou no pátio onde ficavam estacionados os automóveis dos moradores do vilarejo, demorou bastante até conseguir uma vaga, o pátio estava repleto de carros.

Agora era encarar o caminho escuro, no meio da floresta até chegar em casa. Antony andava em passos longos e rápidos, até que de repente ouviu um barulho, vindo de trás, pareciam com passos. O coordenador da Filial Norte não arriscou em olhar, e instintivamente começou a correr. O som dos passos também pareciam ser de alguém que corria atrás de Antony, foi quando ele pegou seu telefone que estava no bolso da calça e tentou ligar para Sara, sem sucesso, porque não havia sinal no telefone.

Após alguns metros correndo, o som dos passos que o seguiam cessaram, para o alívio de Antony. Então, ele parou de correr e não arriscou olhar para trás, pois o medo era enorme e não permitia esse feito. A angústia foi interrompida quando Antony avistou as luzes do vilarejo, faltavam poucos metros para chegar.

Quando passou pelo portão principal do vilarejo, o alívio foi tanto que ele gritou:

– UHU! CHEGUEI! PARECIA QUE EU ESTAVA HORAS NO MEIO DESSE MATAGAL!

Ao entrar em casa, Sara estava chorando de preocupação, sendo consolada por Lauren. Já Melissa, sua filha, estava com o irmãozinho no quarto para fazê-lo dormir.
Antony contou tudo para Sara e Lauren, ambas se assustaram com a história.

– O pessoal aqui da vila está comentando sobre uma maldição ou lenda, não sei muito bem do que se trata, mas é sobre o caminho que vai da vila até a estrada, a trilha na mata tem fantasmas. – avisou Lauren.

– Como assim? O que estão dizendo? – perguntou Antony.

– É algo parecido com o que você nos contou, sobre barulhos estranhos que parece uma pessoa caminhando e sussurros. E reza a lenda que não devemos olhar para trás, em hipótese alguma, por maior que seja o medo, inclusive moradores dos arredores disseram que somos loucos em vir morar aqui, pois ninguém passa por essa trilha dos fantasmas há muito tempo, e que algumas pessoas desapareceram ao passar por lá. Por isso o prefeito da cidade não autoriza construir uma estrada ou colocar postes de luz, para não despertar os fantasmas. – informou Lauren.

Os três ficaram conversando por horas, não perceberam o tempo passar, até que Lauren olhou para o relógio.

– Nossa! Está tarde, vou para casa, amanhã cedo tenho minhas tarefas na horta.

– É verdade, temos muitas tarefas para fazer, e durante esse período, continuaremos com nossa conversa, – Sara respondeu para a amiga.

No dia seguinte, a rotina de Antony se repetiu, inclusive de sair mais tarde do trabalho, parecia que ele não estava preocupado com a história contada por Lauren tão pouco com o que havia acontecido no dia anterior, o som dos passos.

Porém, ao chegar na trilha, no meio daquela mata escura, as lembranças da noite interior o deram uma ideia, ele ligou a lanterna do seu celular.

– Calma Antony, é apenas um quilômetro, em alguns minutos isso termina, – conversava sozinho no meio da mata.

Quando de repente o som de passos atrás de Antony surgem mais uma vez. Ele aponta a lanterna para um lado, para o outro e para frente, mas não para trás, não queria arriscar após ouvir as histórias.

O som cada vez mais nítido, parecia que algo estava se aproximando, até que um sussurro fez com que Antony olhasse para trás. Não viu nada, direcionou a lanterna para enxergar melhor, mas nada, não viu nada, somente a trilha no meio das árvores. Respirou fundo e virou-se para frente.
Ao se virar para frente para seguir caminho, Antony sentiu algo tocar em seu ombro.

– AHHHHHH! QUEM É VOCÊ? – Aos gritos, perguntou Antony.

– Acalme-se, acalme-se, até parece que viu um monstro, me chamo Piter.

– Piter? Você quase me matou de susto, preciso tomar um ar.
Após se reestabelecer do susto, Antony questiona:

– Não lembro de você, nem no vilarejo, tão pouco da empresa, me desculpe, mas não me recordo de você.

– Impossível, não trabalho com vocês e não sou do Vilarejo da Filial Norte. Eu moro um pouco além do vilarejo, e faço esse caminho há anos.

– Há casas depois do vilarejo?

– Sim, a minha casa, uns três quilômetros após o vilarejo.

– Nossa! E você não tem medo de andar nessa escuridão, Piter?

– Medo? Não tenho mais, já me acostumei, Antony.

– Como você sabe meu nome?

– Está no seu crachá.

– Ah! É verdade, saí rápido do trabalho e nem dei conta que estava com ele, sabe como é né, essa escuridão, as histórias… mas já que você leu no meu crachá, prazer, sou o Antony.

– NÃO OLHE PARA TRÁS.

– O que você disse?

– Você olhou para trás, agora vai sofrer as consequências, hahaha!

Piter, não conseguiu se conter, não parava de rir. Então, Antony percebeu que era um trote e ficou aliviado.

– Quase me convenceu, pensei que estava falando sério, porque no vilarejo estão falando sobre essa história de que não devemos olhar para trás na trilha da floresta. Mas não acredito nessas histórias de fantasmas.

– Eu acredito, ou não, nem sei.

– Aí está, o portão da Vila, chegamos!

– Você chegou, eu ainda tenho que andar um pouco mais.

Quem sabe nos veremos por aí, na trilha, ou na cidade.
Após se despedir, Antony entrou no vilarejo e ficou olhando para o estranho até que ele desaparecesse na escuridão da mata.

Na tarde seguinte, já no trabalho, Antony ligou para a esposa dizendo que iria chegar tarde, para ela não se preocupar porque havia conhecido um homem que passava pelo mesmo caminho à noite para ir para casa, um pouco além do vilarejo.

– Foi isso que ele me disse querida, que mora “um pouco além do vilarejo,” cerca de três quilômetros.

– Cuide-se, eu vou deixar sua comida em cima da mesa, caso você chegar e as crianças e eu já estivermos dormindo.

– Te amo, querida.

– Também te amo.

Dessa vez, Antony estava tranquilo, tudo não passava de uma lenda, e além disso, encontrou alguém que também passava no meio da floresta à noite, alguém para lhe fazer companhia, pensou.

Chegada à noite, após muito trabalho e cansado, Antony organizou sua sala para poder ir para casa.

– Olá? Alguém aí? Piter, é você? – perguntou Antony ao entrar na floresta e ouvir o som de passos.

Novamente, Piter toca no ombro de Antony e o assusta!

– NOSSA! Me assustou novamente.

– Não se assuste, eu vi você e me apressei para alcança-lo, é bom ter com quem conversar pelo caminho da floresta.

– Sim, ainda mais nessa escuridão. E hoje não estou me sentindo bem, estou com calafrios.

Os dois seguiram em frente, até que um novo som de passos começou a segui-los.

– Está ouvindo isso Piter? Parece que estamos sendo seguidos.

– Continue andando e não olhe para trás, – falou baixinho, Piter.

Antony não se conteve e olhou. Virou-se bruscamente para trás e olhou.

– EU DISSE PARA VOCÊ NÃO OLHAR PARA TRÁS! – Com raiva Piter gritou, – EU DIGO PARA TODOS, MAS NÃO ADIANTA, VOCÊS OLHAM, DAÍ É PRECIOSO SOFRER AS CONSEQUÊNCIAS. – Continuou gritando para Antony.

Piter começou a mudar de fisionomia, seus olhos ficaram negros, e parecia que Piter havia aumentado seu tamanho, apertando Antony contra seu peito e o sufocando. Antony então começou a pedir socorro, tentou gritar, mas o homem de olhos negros agora mais parecido com uma criatura ou um espírito maligno não permitiu. Olhou no fundo dos olhos de Antony e o soltou, mas Antony não conseguia se mover, estava paralisado, então, Piter começou a falar:

– Sou o guardião das trevas, esta floresta é minha, ninguém pode entrar aqui à noite, a menos que em troca me dê a sua alma e o seu sangue. Eu disse para você não olhar para trás, te dei uma chance, mas você quis olhar mesmo assim. Muitas pessoas já passaram por aqui, e quase sempre olham para trás, não deveriam, e quando olham, pertencem a mim.
Piter ainda disse:

– Não adianta fugir, porque você olhou para mim, pensei que você era diferente.

– Mas sou, eu só olhei por medo, deixe eu ir, não vou contar a ninguém.

– Cale-se! Todos dizem a mesma coisa.

Então, o homem vindo das trevas sugou a alma de Antony. Em poucos segundos aquele corpo que sobrou foi secando até também ser devorado.

O homem das trevas começou a grunhir e sumiu na escuridão.

Dias se passaram, as autoridades procuraram Antony por toda a floresta, cidade e vilarejo. Nunca encontraram seu corpo.

Sua esposa contou para o xerife sobre o tal homem que Antony conheceu, mas não sabia seu nome nem descreve-lo, somente a conversa que teve por telefone com seu marido no dia em que ele sumiu, que o homem misterioso morava na floresta próximo do vilarejo. O Xerife disse ninguém morava no local descrito por Sara e que outras pessoas já haviam desaparecido na floresta há muitos anos, e várias teorias e histórias eram contadas, por isso recomendavam que as pessoas não andassem à noite na floresta e em hipótese alguma olhassem para trás. Pois uma pessoa contou uma vez que um homem no meio da mata lhe avisou para nunca olhar para trás, e mesmo assim ela olhou, teve calafrios e começou a se sentir estranha, porém, continuou a passar pela trilha no meio da floresta até que um dia desapareceu. Assim, deram o caso por encerrado.

O desaparecimento de Antony também nunca foi solucionado, sua esposa ficou no vilarejo com seus filhos, trabalhando na horta. Iria recomeçar ali mesmo com ajuda do diretor geral da empresa.

Anos depois, Enzo com dez anos de idade saiu com um grupo de amigos para brincar na floresta, eles saiam escondidos dos pais, estava escurecendo, todos sabiam que era hora de voltar para o vilarejo, mas Enzo ficou para trás, estava comendo algumas frutas que havia levado de lanche. No inverno a noite vinha antes, nem lembrou. Anoiteceu rápido e lá estava ele, na mata, quando ouviu um barulho e sem pensar, olhou para trás.

– Prazer, me chamo Piter, não olhe para trás, rapazinho.

Por: Agui de Rossi

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