Post Mortem: As Fotografias dos Mortos da Era Vitoriana

Post Mortem, o costume macabro que dominou a Era Vitoriana. Fique sabendo mais sobre essa forma estranha de guardar lembranças de entes queridos.
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As Fotografias post mortem, do latim após a morte – costume macabro, mas sinônimo de status na Europa-, tiveram início na Inglaterra durante a Era Vitoriana. Esse costume, consistia em tirar fotos de entes queridos após sua morte das mais variadas formas e posições possíveis.

A História da Fotografia Post Mortem

Tudo começou quando a Rainha Victoria pediu que fotografassem um cadáver de uma pessoa conhecida, ou um parente, para que ela guardasse como recordação. Desde então, esse tão mórbido, assustador e bizarro costume passou a ser adotado pela sociedade inglesa.

Para os vitorianos, as fotos post mortem (Fotografias dos mortos) eram apenas mais um dos aspectos de um elaborado e complexo ritual de luto, que muitas vezes compreendia em cobrir a casa e o corpo de vestes negras, além de lavar o cadáver e vigiá-lo. Assim que alguém falecia, seu corpo era velado na casa e permanecia lá até o enterro. Neste momento, entre o velório e o sepultamento – que poderia durar vários dias –, as flores seriam colocadas ao redor do corpo, não apenas para amenizar o visual, mas também para disfarçar qualquer possível odor da decomposição. Às vezes, haviam tantas flores que quase não se podia ver o corpo.

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Fotografias Post Mortem (Fotografias dos Mortos)

As fotos iniciais deste tipo de ritual, eram referidas como ‘espelhos de memórias’ e os vitorianos viam aquilo como uma maneira de preservar a memória de um membro da família. As fotos dos mortos eram mantidas como lembranças, exibidas em casas, enviadas a amigos e parentes, usadas em broches, ou mesmo transportadas como espelhos de bolso.

A Arte das Fotografias Post Mortem ou Fotografias dos Mortos

Fotografar os mortos, no entanto, era um negócio complicado e exigia uma manipulação cuidadosa do corpo e o uso de adereços e equipamentos, seja no estúdio do fotógrafo ou na casa do falecido. Embora a maioria das imagens post mortem retratasse os mortos colocados em uma cama ou caixão, a maioria das crianças foi retratada como “adormecida” em suas camas, ou na vertical. Elas raramente eram colocadas no colo de suas mães, a fim de mantê-las na vertical (ecoando a moda vitoriana dos retratos da ‘mãe escondida’, nos quais uma mãe ou assistente era envolta em tecido como pano de fundo, obtendo vários graus de sucesso neste empreendimento).

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A maioria dos retratos post mortem (Fotografias dos Mortos) da época, eram feitos em crianças menores de um ano de idade. Não era incomum que eles fossem retratados com algum objeto em que nutriam apreço durante a vida. No caso de crianças, um brinquedo favorito e dos adultos, um livro ou até mesmo um relógio. Os adultos, por sua vez, apareciam mais frequentemente dentro de caixões, mas ocasionalmente eram fotografados em camas ou cadeiras. Após a sessão de fotos, os fotógrafos também podiam manipular o negativo – para que o olhar da pessoa morta parecesse menos esbranquiçado ou vazio, e às vezes, inclusive pintavam pupilas em pálpebras fechadas.

A Primeira Fotografia Post Mortem

A primeira fotografia post mortem conhecida foi de a “Five Killed Men (cinco homens mortos), de Karol Beyer, feita em 1861”. Beyer, um alemão étnico, é conhecido como o pai da fotografia polonesa. Ele abriu seu primeiro ateliê em Varsóvia em 1845, tornando-se, assim, o pioneiro da fotografia de estúdio na atual capital da Polônia, ocupada pela Rússia na época.

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Foto: Biblioteca Nacional em Varsóvia / CBN – Polônia, a primeira de muitas Fotografias dos Mortos

Desde então, ele fotografou os mortos e os vivos. No entanto, foi o trabalho que ele criou durante a supressão da manifestação anti-czarista de 1861 que lhe trouxe fama. Em 25 de fevereiro de 1861, o exército czarista recebeu ordens das autoridades para atirar em cinco participantes do pacífico protesto patriótico em Varsóvia. Beyer os fotografou um dia depois e criou um quadro distinto. “Inúmeras quantidades desses cartões foram espalhadas por toda a Polônia”, escreveu o jornalista russo Nikolai Vasilyevich Berg sobre o trabalho do fotógrafo.

Jacek Dehnel observa que a fotografia post mortem desempenhou dois papéis importantes neste caso. Primeiro, era de caráter jornalístico – era um registro dos trágicos efeitos das atividades das autoridades. Em segundo lugar, tornou-se uma relíquia nacional – consolidou e unificou a nação.

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A Fotografia é a Morte

Por quase dois séculos, a morte e a fotografia se entrelaçaram: começando com os retratos post mortem e terminando com a cobertura das linhas de frente em conflitos ao redor do mundo. Em cada um desses contextos, o memento mori bromídico ressoa fortemente. No entanto, nem mesmo os mais renomados teóricos da arte evitam a reverberação. Roland Barthes, Susan Sontag e Boris von Brauchitsch enfatizam que cada fotografia é, de certa forma, “sobrecarregada” com a morte, já que se distancia de uma imagem “viva”. Afinal, como Sontag coloca, “a vida é um filme. A fotografia é a morte.

Galeria de Imagens de Fotografias dos Mortos (Post Mortem)

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