Dizigóticos

Dizigóticos é uma história assustadora sobre um casal de gêmeos que possuem dons paranormais e espalham o caos, o terror e a destruição por onde passam.

Em 1985 na Santa Casa de Misericórdia da Cidade de Caveiras, ao Norte do Estado do Paraná, Breno e Brígida vieram ao mundo.

A família morava em uma casa de madeira aos fundos de uma loja de material de construção em um bairro colonizado por poloneses.

A dona Irene ficara muito surpresa, logo depois, quando lhe trouxeram os gêmeos no quarto, pois ela dizia que nunca sentira que havia dois seres na sua barriga e ela esperava apenas um filho, ou filha (naquele tempo nem todas as pessoas podiam ou tinham o desejo de realizar ultrassonografia), mas ao mesmo tempo estava muito feliz:

—Veja Antônio, temos um casal. Um casal lindo-dizia a mulher eufórica.

— Sim Irene, eu queria muito um filho homem para me ajudar na construção civil e agora ganhamos uma filha também e ela irá lhe ajudar nos serviços domésticos.

— Sim Antônio-puxa por que será que os homens sempre têm disso, que porcaria! -pensou ela imediatamente, (deveria ter se lembrado de quando sua mãe dizia que os homens são insensíveis) mas não disse nada.

O tempo passou… os lindos gêmeos de Antônio e Irene, agora com nove anos de idade, brincavam um dia no quintal de casa com os primos.

Igor, Julia e Fabiano, eram filhos da tia Yara, irmã de Irene.

Eles sempre vinham até lá para brincarem e outras vezes era Breno e Brígida que iam até a residência da titia, porque as mamães sempre estavam juntas, pois eram sócias na venda de produtos por catálogos que as duas possuíam em comum.

Após algum tempo brincando, ouviam-se gritos vindo do quintal.

As mães deram uma olhada rápida para o lado de fora, mas continuaram a contar as mercadorias.

E então, um novo barulho foi ouvido e dessa vez, havia um misto de choro e grito das crianças.

E Yara deixando a sala, pôs-se em pé na porta que dava para o lado de fora e disparou:

— Que diabos está havendo aqui crianças! Não podem brincar quietinhos e em paz, enquanto eu e a tia Irene contamos as mercadorias?

— Foi o Breno mamãe, ele está tentando tomar o carrinho de controle remoto do Fabiano-rosnou a pequena Julia de apenas seis anos.

— Fiquem calmos, cada um brinca um pouco, Julia e Brígida com as bonecas e você Breno, brinca com Igor e o Fabiano, troquem os carros.

Breno lançou um olhar paralisante na tia e no primo Fabiano ao mesmo tempo e voltando-se com a cabeça e os olhos fixos no carrinho que estava parado ao lado do primo, ele soltou um grito estrondoso e infernal:

“eu quero e eu vou brincar agora com essa droga de carrinho ou então eu vou destruí-lo”.

A tia tentou repreender e disse:

— Não pode ser assim Breno, precisa falar com mais calma e educação.

Nisso a mãe que ouvira a repreensão saltou do sofá e também veio até a porta (as mães não admitem muito que se grite com os filhos ainda que estejam errados) e dando um forte grito repreendeu:

“O que está acontecendo Breno? Brinque com seus brinquedos e deixe seu primo em paz!”

A repreensão saiu forte a assustou as outras crianças, mas Breno continuou a bradar sem medo:

“eu quero brincar com esse maldito carrinho agora, senão vou destruí-lo”.

E quando sua mãe fora em sua direção com o chinelo nas mãos para se aproximar do menino, Breno fitou os olhos com força no carrinho de controle remoto “Pegasus 11, cor de prata” e sua face transmudou-se e fora tomada por um rubor inexplicável, seu olhos pareciam ter ganhado dimensões anormais, havia a séria impressão de que os glóbulos oculares iriam saltar da face do menino e então ele esticou a mão direita em direção ao brinquedo, deu  um estranho e assustador giro de cento e oitenta graus no pescoço e olhou para irmã que pareceu assentir com uma piscadela e o “Pegasus 11” começou a ganhar elevação e fora subindo vagarosamente, até atingir uma altura de aproximadamente um metro e oitenta.

Por poucos segundos, o carrinho parou no ar, depois desabou rapidamente ao chão e se despedaçou soltando partes para todos os lados piscando as setas em uma das partes que restou. O choro de Fabiano foi estridente e demorado e Igor tentava consolar o irmão, entregando a ele seu carrinho para que brincasse um pouco.

A senhora Irene e sua irmã ficaram boquiabertas e entreolharam-se com espanto.

As crianças não entenderam muita coisa e depois do escândalo brincaram ainda mais um pouco. Sem Breno que agora havia ido para o quarto.

À noite na hora de dormir Brígida disse ao irmão:

¬— Eu já sabia que você faria aquilo Breno.

— Como assim?!

— Eu não sei, eu só sei que eu senti. Eu sinto, todas as vezes que você está ficando bravo e daquele jeito. Quando você quebrou o aquário na casa do Ricardo, depois que vocês brigaram, eu também senti tudo antes, eu sabia que você iria destruir aquele aquário e jogar os malditos peixes pelos ares. E você ficou parado com o mesmo olhar, o mesmo rosto e os mesmos olhos. Eu consigo ver antes, bem antes, tudo que vai acontecer Breno.

— Como você sentiu, como você sabia? Por que não me fez parar então?

 — Eu não posso Breno. No começo eu me assustei, mas agora eu sinto que também sou eu que está fazendo isso com você; a sua parte sou eu também, quando você age assim e quando eu adivinho as coisas antes que ela aconteça, eu sei que essa parte minha também é você. Eu não consigo ver nada se você não estiver em mim e você não consegue destruir coisas, ou fazer tudo que você faz se eu não estiver em você.

Ela tinha razão.

Mais alguns anos se passaram e os adolescentes agora de quinze anos, estranhamente continuaram agindo daquela maneira quando provocados, em festas de aniversários, na escola, na rua e onde passavam. 

Os pais não sabiam o que fazer e não conseguiam explicar os fenômenos.

Certo dia na escola, Breno fora cercado por dois meninos mais velhos que em tom de ameaça tinham lhe prometido uma surra, porque segundo eles, era para Breno “deixar de ser retardado”.

Brígida que vinha logo atrás do irmão, previu a intenção dos marmanjos e como em uma espécie de transmissão de pensamentos ela provocou a ação de Breno.

O menino que estava cercado pelos garotos maiores suspendeu os dois braços para cima e mais uma vez lançou aquele olhar demoníaco contra os dois, que de início riram, mas logo seus semblantes se fecharam como as portas do comércio depois das dezoito horas na véspera de um feriado.

E então, as duas bandeiras que estavam no mastro da escola “ganharam vida” e as lanças pontiagudas de prata atravessaram as costas de cada um deles que lançaram imediatamente jorradas de sangue para fora. Os irmãos continuaram caminhando sem serem vistos e retornaram para a casa.

No outro dia uma informação de que dois criminosos invadiram a escola assustou os moradores do lugar.

Dona Irene e seu Antônio estavam chorando e rezando juntos abraçados pois eles sabiam no fundo quem eram os autores da proeza, mas não havia o que ser feito e o silêncio era o melhor remédio naquele momento.

O doutor Robert Schneider de descendência alemã fez uma palestra famosa no Instituto Nacional de Parapsicologia do Estado de São Paulo onde abordou dentre outros temas, a habilidade telepática que algumas crianças podem desenvolver e por acaso a Dona Irene assistira à reportagem no jornal nacional.

A telecinesia, explicava ele, é a capacidade de mover objetos ou modificá-los com a força da mente. Dona Irene pensou fortemente em Breno.

E a telepatia, dizia ainda o famoso médico, consiste na habilidade de saber informações a respeito dos pensamentos, sentimentos ou atividades de outra pessoa consciente, sem a necessidade de se utilizar de ferramentas como a linguagem verbal, corporal, de sinais ou da escrita. Dona Irene pensou fortemente em Brígida.

Agora ela e seu esposo podiam sentir que seus gêmeos eram diferentes. Eles não se separavam por nada. E, aquilo que Brígida havia dito ao irmão um dia no quarto quando ainda era uma criança de sete anos e que fora ouvido por dona Irene, fazia todo o sentido e ecoava forte em seus ouvidos:

“Breno, a sua parte sou eu também, quando você age assim e quando eu adivinho as coisas antes que ela aconteça, eu sei que essa parte minha também é você. Eu não consigo ver nada se você não estiver em mim e você não consegue destruir coisas, ou fazer tudo que você faz se eu não estiver em você”.

O tempo passou ainda mais…

Muitos estragos foram feitos. Animais apareceram mortos, outras crianças morreram e despareceram sem explicação. Uma prima que morava longe e veio visitar a família despencou de um muro sem razão aparente e ficou paraplégica. O carro de um médico que havia saído da residência de seu Antônio e dona Irene após acertar o internamento dos irmãos em uma espécie de orfanato especial, já que os pais não aguentavam tanta desgraça, capotou fortemente na estrada de volta e levou à morte instantânea do doutor. Mas o padre Azevedo, parapsicólogo de renome e amigo da família estava investigando os fatos desde tenra idade das crianças e após localizar um relatório antigo dos irmãos gêmeos, ele chamou seu Antônio e dona Irene e fez a revelação:

“Seus filhos, os gêmeos dizigóticos não são seus filhos biológicos. Eles foram trocados na maternidade quando Irene dormia fortemente sem poder ver o parto.

Eles são filhos de uma mulher da descendência de Barbara Zdunk, uma antiga bruxa Polonesa, e sua mãe pagou altas cifras à equipe médica para trocar os bebês e Irene fora dopada para não ver absolutamente nada, somente horas depois ela os viria no quarto. Você teve apenas um filho, o filho homem que Antônio sempre quis, você tinha razão Irene, mas ele foi embora para outro mundo que desconhecemos. Seus “filhos” gêmeos dizigóticos não possuem poderes paranormais, eles são na verdade demônios, descendentes filhos da bruxaria e isso explica os poderes sobrenaturais. Levei anos para chegar a essa conclusão, mas infelizmente essa é a verdade, aqui estão os documentos e o relatório”.

Dona Irene tivera um infarto agudo do miocárdio e morrera ali mesmo e seu Antônio vagou pelo mundo até a sua morte.

Quanto aos gêmeos? Me recordo apenas da notícia abaixo, estampada no jornal “gazeta da população”:

“Orfanato Lar Feliz é incendiado com trinta e duas crianças dentro, enquanto dormiam”.

Por Danilo Seraphim

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