O Nego D’água [História de Terror]

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nego d'água história de terror

Quando mais jovem, eu morava no estado de Goiás em uma pequena cidade do interior. Meu primo, eu e alguns amigos, pegávamos nossas bicicletas e “explorávamos” fazendas da região durante as nossas férias escolares. Só aparecíamos em casa para almoçar e voltávamos somente quando escurecia.

Por entre as fazendas, confesso que cometemos pequenos crimes de moleque como: roubar milho e outros frutos em pomares. Porém, numa tarde de aventuras, meu primo nos revelou um lugar onde viviam seres estranhos.

– E aí, estão afim de conhecer um lugar? Que tal o pequeno riacho que fica uns 15 minutos daqui? Aquelas águas abrigam o nego d”água…

– Er…acho que é melhor não. Eu não sei nadar direito e, além do mais, logo vai escurecer – eu disse.

Naquele momento todos riram da minha cara e debocharam dizendo que eu estava com medo. De fato senti medo mesmo, afinal de contas, não acredito em criaturas sobrenaturais.

Todos os outros resolveram aceitar, só para não serem taxados de covardes como eu fui. Então, aceleramos em nossas bicicletas até chegar a um lindo riacho cercado por muitas árvores e plantas.

Meu primo nos contou que, uma vez, naquele mesmo riacho, naquelas mesmas proximidades, um casal atravessava a água num pequeno barco de madeira junto com um bebê recém nascido. A criança estava sobre o colo da mãe que estava sentada próximo à ponta do barco e sendo amamentada, enquanto o rapaz remava até o outro lado que dava acesso à uma outra fazenda.

Então, de repente, a mulher viu uma mão saindo debaixo da água. A mão não era humana. Tinha 3 dedos com unhas grandes e bastante afiadas… A mulher sussurrava para o seu marido tentando alertá-lo, pois ele estava de costas remando e não vira nada daquilo. Ao lado dele, um facão para abrir caminho pela vegetação.

Ela tentou sussurrar mais alto: “Pegue o facão e corte… Pegue o facão e corte….”, repetia a mulher. Até que, por fim, o homem deu um leve movimento olhando por entre o ombro esquerdo e viu, logo atrás dele, aquela mão que estava longe de ser humana ou até mesmo um animal conhecido.

Ele voltou seu olhar pra frente, como se nada tivesse visto e disse, em tom de voz baixa: “Afaste-se um pouco, no momento certo…”. De repente, o bebê parou de mamar e começou a chorar, chorava bem alto como se sentisse o perigo lhe ameaçando.

Quando a criança começou a chorar, a mão começou a se movimentar subindo junto a um estranho braço todo torto e enrugado pelo barco cada vez mais apressado. Em um movimento ligeiro, o homem pegou o facão e cortou a mão que separou do antebraço enrugado na hora.

Aquilo voltou pras profundezas do riacho rapidamente. A mão, que ficou caída dentro do barco, ainda movimentava os dedos com aquelas unhas que mais pareciam garras.

Meu primo, após nos contar essa história que, segundo ele, é real e acontecera há anos, jurava que aquele riacho é um dos lugares que mais ficaram isolados naquela região, pois os antigos fazendeiros que ali moravam, mudaram-se após perder muitos de seus animais, provavelmente mortos pelo nego d”água que saía do riacho à noite e andava pelos pastos.

Realmente só nós estávamos ali no cenário da suposta macabra história verídica.

– Bom! Agora que viemos e ouvimos uma história e tanto, acho que está na hora de pedalarmos rumo pra casa. Daqui uma hora começa escurecer e temos que atravessar trilhas sobre pastos e…

Enquanto eu falava aquilo na esperança de sair de perto daquelas águas o mais rápido possível, ouvi um som de algo caindo na água. Eram dois de nossos 4 amigos pulando e brincando no meio do riacho.

– E ai será que o nego d”água vai nos pegar? – disse um deles rindo.

– Espero que ele não tenha perdido a outra mão, senão como ele vai nos matar? – disse o outro.

Ficamos sem reação, até que um deles decidiu se afastar ainda mais de nós e nadou mais para o meio do riacho.

Nesse momento, ele começou a gritar chamando a atenção do outro que nadava mais longe, achamos que era mais uma brincadeira de mau gosto, mas logo vimos que ele afundou como se algo o puxasse para o fundo da água.

O outro menino que estava na água, saiu às pressas enquanto começamos a gritar pedindo socorro, logo uma caminhonete apareceu vinda da estrada de terra até aonde estávamos.

– Pelo o amor de Deus! Que diabos estão vocês fazendo aí moleques? Não sabem que já morreu gente nesse local por causa do nego d”água?!

Era um homem de aparência simples usando um chapéu de couro em tom branco e manchado pelo desgaste. Após o “puxão de orelha” do estranho, ouvimos algo parecido com latidos de cão que se repetia, mas não eram latidos de cachorro, era um som que eu jamais tinha ouvido antes.

– Céus, vamos embora daqui, é o nego d”água, esse som é dele – disse o homem tentando nos puxar para fora dali.

Contamos sobre o nosso amigo na água para o homem, mas ele apenas lamentou. Disse que, uma vez que fosse pego por aquela criatura, não tinha mais volta.

O corpo do nosso amigo apareceu boiando na água repleto de sangue. Assim que o resgataram, fomos impedidos pela polícia de ficar no local, mas conseguimos ver que faltava um olho. O rosto dele tinha sinais de pequenos trituramentos. Um dos pés, pendurado apenas por um tendão com sua carne e ossos expostos. Eu levei muito tempo para voltar a dormir após ver aquela cena.

No dia do enterro do nosso amigo, meu primo era o que mais estava abatido, se sentia culpado pelo fato de ter nos levado até lá achando que tudo não passava de uma lenda rural.

– Eu só queria assustar vocês. Tinha as minhas dúvidas quanto o nego d”água. Pra mim não passava de lenda. Eu devia ter ouvido você quando disse para não irmos…

Após sairmos do cemitério no final da tarde do dia seguinte, olhamos para aquele túmulo “vazio”, tampado com terra pura, uma simples cruz de madeira pintada de branco e uma pequena coroa de flores roxa envolvendo o topo da cruz,

A partir desse dia, meu primo nunca mais quis saber de lagos, córregos, riachos e etc…

Fonte: Desconhecida

História de Terror corrigida e adaptada para o Mundo Sombrio

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