A Velha Pensão

A História de Terror ‘A Velha Pensão’, conta a história de uma família que, durante uma longa viagem pela estrada, resolve parar para descansar em uma pensão velha. O que acontece depois é de arrepiar.

Recentemente, tive que vender meu apartamento de área nobre do Rio de Janeiro e me mudar com minha mulher e filha para um rancho da família que há muito estava abandonado no interior de Minas Gerais. Confesso que não era a melhor casa do mundo, mas com certeza devia ser bem melhor que morar embaixo do viaduto.

No meio da viagem, percebi que minha mulher não se sentia bem, então perguntei:

– Amor, você está bem?

– Não querido. Você sabe como sou fraca pra viagens né? Ainda mais nesse carro velho que balança mais que roda gigante de Quermesse. Ela respondeu com aquele ar de quem vai colocar os “bofes” pra fora, sabe?

– Eu prometo que tudo vai melhorar. Eu prometo. Passei a mão em sua cabeça carinhosamente para que ela pudesse se acalmar.

Já estava escurecendo, quando avistamos ao longe o que parecia ser um motel.

Ao chegar mais perto, conseguimos ler – muito malmente – a fachada que dizia: “Bem vindos a Pensão dos Franco”.

– Olha querido! Tem uma pensão logo ali na frente. – disse minha mulher.

– Quem sabe não conseguimos alguma coisa pra aliviar o seu enjoo e descansamos um pouquinho também? Estamos todos muito cansados. – completei.

Estacionei o carro um pouco longe da construção. Ela parece meio abandonada, descuidada. A placa que dizia “Vendisi tambén poupas de fruta” – onde creio eu que a frase correta a se colocar seria “Vendem-se também, polpas de frutas” – com letras quebradas, torta e toda enferrujada junto a fachada, já dizia tudo aos olhos de quem por ali passasse.

Enquanto ela tirava nosso bebê da cadeirinha do carro, eu retirava as malas e arrumava-as de acordo com a facilidade de manuseio, pois estas eram muitas e eu não queria ficar pra lá e pra cá carregando elas.

– Amor, parece que ninguém vem aqui há muito tempo né? – minha mulher falou indagativa – Tá tudo sujo, empoeirado… – disse ela apontando para o chão da entrada, o mesmo que rangia enquanto caminhávamos rumo à porta.

– Verdade – respondi.

Lá dentro, mesas, cadeiras quebradas e jogadas no chão, muita poeira em tudo. Tinha apenas uma luz no fim do salão que iluminava bem mal aquele local tenebroso. Minha mulher colocou uma fralda no nariz do bebê pra que ela não inspirasse tanta sujeira. Na área iluminada, dava para enxergar de forma horrível, um senhor, que aparentava ter seus 98 anos de idade e que pareceu não ter percebido nossa presença.

Ao chegarmos mais próximo, o senhor nos olhou com muita dificuldade e nos perguntou com uma voz muito fraca e falha:

– Boa noite caros amigos. Me chamo Iolai. Em que posso servir vocês?

– Boa noite. Meu nome é Beto, esta é minha esposa Márcia e nossa filhota Bárbara. Eu e minha família estamos de viagem e gostaríamos de saber quanto é a hospedagem, pois precisamos muito descansar.

– Infelizmente não posso ajudá-los. Não temos mais nenhum quarto disponível. Sigam pela estrada que mais adiante encontrarão outra pensão – respondeu grosseiramente o velho.

– O Sr. não entende. Estamos exaustos da viagem. Não aguento mais dirigir nenhum metro sequer. Minha filha precisa dormir e nós também. Por favor, será que não existe um quarto, qualquer que seja? – pedi implorando.

– Bom – disse o velho – Vocês parecem mesmo precisar.

Olhou em um caderno velho e disse:

– Ah! Que sorte a do Sr. Hoje é 30 de Junho e é aniversário de fundação da “Pensão dos Franco” e portanto, sendo um dia tão especial, os clientes ganham uma estadia grátis – disse ele.

– Ai que bom! – disse minha mulher morrendo de felicidade – quero um banho quente, uma comida fresquinha e uma cama pra desmaiar.

Iolai virou-se com muita dificuldade e apanhou a única chave que estava pendurada no mostruário dizendo-nos:

– Quarto 12, meus caros amigos. Subindo as escadas, última porta à direita. Logo, logo, estarei levando o seu jantar. Tenham uma ótima noite.

– Obrigado! – eu disse pegando a chave do balcão.

Olhando para a parede reparei que existiam muitas fotografias de funcionário do mês, e todas elas eram de um mesmo rapaz chamado Carlos Franco.

– Esse Carlos Franco deve trabalhar muito bem por aqui né? – perguntei ao senhor.

– Você nem imagina o quanto. – ele respondeu.

Em todo o percurso que fizemos até o nosso quarto, havia vários quadros com pinturas de pessoas bem diferentes umas das outras nas paredes. Umas pinturas com pessoas em seus trajes de época, outras com negros que pareciam africanos, motoqueiros, piratas e etc. Era uma variedade enorme de pinturas. Incontáveis.

Chegamos ao quarto que nos foi indicado – com muita dificuldade, pois estava tudo muito escuro ali -, e quando abrimos a porta, demos de cara com uma suíte muito linda. Parecia uma suíte presidencial de tão arrumada e chique. Não tinha poeira nenhuma. O colchão, os travesseiros e os lençóis, todos limpos. E as toalhas? Tinham até cheiro de alfazema. Um brinco só. Nem parecia que aquele quarto fazia parte do resto da pensão.

Joguei as malas no chão e deitei na cama.

– Beto, você não tá achando estranho isso tudo não? – perguntou minha esposa – Tem até um berço pra Bárbara aqui do lado.

– O quê?! – pergunto assustado – Um berço?! Como que alguém saberia que temos uma criança com a gente? Vai ver que é um costume ter um quarto assim por aqui por essas bandas, né?

– Quer saber? – continuei – Eu vou tomar meu banho enquanto nosso jantar não chega.

Tomei meu banho e fui pra cama ver o que passava na televisão.

Bárbara dormia tranquilamente no berço depois de ser amamentada, minha mulher tomava banho e eu assistia ao noticiário, deitado, esperando o jantar chegar.

Foi quando resolvi ligar para a recepção e perguntar o porquê da demora. Quando coloco o fone no ouvido batem na porta dizendo:

– Serviço de quarto! O jantar está servido!

Quando abri a porta, dei de cara com um jovem de 20 e poucos anos meio sujo de tinta, carregando um carrinho com muitas bandejas. Sorrindo me disse:

– Boa noite senhor. Aqui está o seu jantar.

– Pois não. Pode entrar e deixar aqui na frente da cama – eu lhe disse.

Quando ia saindo, eu lhe dei uma nota de R$ 10,00, o mesmo agradeceu e sumiu pelo corredor escuro.

Terminamos o jantar – eu nunca havia comido tanto e tão bem na minha vida – e fomos dormir.

Acordei assustado, sentindo uma falta de ar enorme, olhei no relógio, eram ainda 2h da manhã. Virei para o lado e minha mulher não estava lá. Levantei da cama e fui ao berço pra ver se ela estava amamentando o bebê e nada. Procurei por todos os cantos e nenhum sinal das duas.

Resolvi sair do quarto para procurar lá fora. Foi quando o mesmo senhor da recepção apareceu de repente na minha frente, segurando seu caderno velho e me parou dizendo aflitamente:

– Não, senhor! Não faça isso! Vá embora! Esqueça-as! Por favor, não adianta mais, ele já as pegou! É tarde! Eu também corro perigo!

Lágrimas escorriam pelos olhos enquanto continuava falando:

– Me perdoe, não foi culpa minha! Eu tentei ajudá-las, mas ele é mais forte! Me perdoe!

Tirou do caderno uma foto e me entregou. Nesta foto estava o mesmo rapaz que havia entregado nosso jantar mais cedo com os seguintes dizeres no verso:

“Carlos Franco – Falecido em  30 de Junho de 1959
  Meu grande irmão e amigo, me perdoe.
  Iolai”

Achei aquilo tudo muito entranho, mas mesmo assim, guardei a fotografia no bolso e saí novamente em busca da minha esposa e do meu bebê.

– Márcia! Márciaaaaa! – eu gritava desesperado.

Eu já não aguentava mais. Minhas pernas cansaram de tanto correr, minha respiração estava fraca, faltava ar. Parei pra descansar encostado na parede com as mãos sobre a cabeça, tentando respirar. Então, ao levantar a cabeça, vi um quadro com a imagem de uma mulher sentada amamentando uma criança. Ao me aproximar mais percebi que era minha mulher e minha filha naquela pintura. Ela estava assustada, como se algo fosse machucá-la. Ao lado deste quadro, estava a imagem de Iolai apontando para baixo como se quisesse mostrar algo. Olhei na mesma direção e vi o caderno velho que ele sempre carregava. Peguei o caderno e desci as escadas.

Sentado no balcão da recepção, comecei a ler o caderno do velho, onde estava escrito:

“2 de Abril de 1959 – Carlos pensa que vai continuar nessa moleza de pintar os hóspedes pra sempre. Não aguento mais trabalhar sozinho neste lugar.”

16 de Junho de 1959 – Mando trabalhar e ele não obedece. Estamos brigando muito ultimamente. Estou farto dessa vida, um dia ainda acabarei com tudo.”

30 de Junho de 1959 – Eu perdi a cabeça. Não queria ter feito isso. Hoje cedo ele disse que iria embora e queria uma parte da pensão. Eu disse que nunca venderia a pensão da minha família só porque ele queria. Ele partiu pra cima de mim, então peguei o peso de papel e bati na cabeça dele. Não queria machucá-lo tanto. Ele está morto!”

Terminando de ler essas anotações, pulei para a última página onde estava escrito:

30 de Junho de 2021 – Novos hóspedes, novos retratos… estou cansado.”

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