Relato do Outro Lado [História de Terror]

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E se você pudesse ler um relato sobrenatural inverso? A História de Terror “Relato do Outro Lado”, vai te dar uma pequena noção de como pode ser do outro lado da vida.

Já faz algumas décadas que estou morto. Hoje estou bem adaptado à esta condição e raramente passo deste lado para o outro. Porém sou apaixonado pela vida na Terra e, de início, sofri muito para aceitar que eu sou apenas um morto.

A Minha morte é um mistérioaté hoje. A mulher com quem eu vivia, diz para todos que me encontrou enforcadona sala em uma noite de sábado de Aleluia, mas ao invés de tentar me socorrerou pedir ajuda, ela me deixou ali e foi atrás de um amigo policial para tomaras providências necessárias. Já meus familiares não acreditam nesta versão. Achamque ela me matou com a ajuda de algum inimigo meu, pois ninguém chegou a tempodo meu velório, uma vez que morávamos em São Paulo e minha família em MinasGerais.

Mas não consegui esta conexãocom a Terra para esclarecer minha morte e sim para recordar o quanto fui umdefunto atrapalhado e uma alma totalmente rebelde. Como já falei, morri em umsábado de Aleluia. Eu sempre fui muito festeiro e este acontecimento me impediude festejar. Era dia de baile, de festa, de bebedeira. De repente eu estava dooutro lado. Não podia ser. Eu tinha quarenta anos, estava na flor da idade e aindatinha muita cerveja para bebericar. É possível imaginar o quanto fiquei louco etentei voltar para minha vida antiga.

Nesta noite fiz loucuras. Emminha primeira tentativa, parei em uma cidadezinha do Paraná onde morava uma dasminhas irmãs. Encontrei meu sobrinho em um bar fazendo a festa. Fiquei muitoanimado e fui logo pegando um copo de cerveja de cima da mesa em que eleestava. Porém, o copo caiu. Todos ficaram atônitos olhando o copo virar-se ederramar toda cerveja no chão. Logo começou um burburinho de que o copo tinhacaído sozinho, que era algo sobrenatural e voltaram a beber. Fiquei meiofrustrado e fui para casa da minha irmã.

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Ela era muito católica e tinhao costume de encher a casa de rosas para o domingo de páscoa. Chegando na casae vendo a beleza dos ornamentos feitos por ela, fui ao quintal e apanhei umarosa diferenciada para colocar em um lugar de destaque para ela. Só que a rosasecou assim que coloquei lá e, antes que eu pudesse tirar, minha irmãlevantou-se para ir ao banheiro e viu a única flor seca junto as demais.Pronto, ficou encucada de que havia algo errado, pois somente aquela rosa haviamorrido e que seria um “sinal”. Tive que sair de lá.

Consegui ir para Minas Gerais para a casa de outra irmã. Lá o pessoal era animado e, com certeza, teria alguma festinha. Assim que cheguei na casa, eles estavam chegando da missa. Eu não sabia que morto sentia fome, mas eu senti uma fome enorme e fui fuçar na dispensa, mas só encontrei umas batatinhas meio murchas. Como eu gosto de batata frita, pensei que fosse uma ocasião ótima para matar a fome. No entanto, eles voltaram mais cedo do que imaginei e, no grupinho, vi meus dois filhos. Toda vez que eu os via, eu ficava eufórico. Era uma alegria enorme. Então joguei as batatinhas para o alto e fui ao encontro deles. Esqueci que eles não me viam e a chuva de batatas caindo no meio deles os deixou em pânico. Ninguém sabia explicar de onde caíram aquelas batatinhas. Naquele dia me dei por vencido.

Assustei muitas pessoas semquerer e percebi que ninguém conseguia me ver, só viam as consequências deminhas trapalhadas. Fiquei os contemplando do lado de cá e me doeu muito ver asreações de quem me amava com a notícia da minha morte. Logo, porém, me divertimuito, porque atribuíram a cerveja caída, a rosa seca e a chuva de batatinhas asinais que eu havia dado da minha partida. Não foi nada intencional. Foi por euser estabanado demais mesmo. Eles que romantizaram tudo.

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Depois dessa primeiraexperiência, fiquei algum tempo aqui num marasmo. Sentia muita saudade de meusfilhos e percebi que minha filha estava atravessando muitas dificuldades. Euqueria tirá-la daquelas situações e tentei novamente voltar à minha vida antiga.

Ela estava dormindo e, coincidentemente, sonhava que estava no cemitério onde fui sepultado olhando para meu túmulo. Neste momento, eu a segurei pelo braço. Ela acordou pensando ainda estar sonhando e eu a pedi para vir comigo. Começou a chorar e disse que não queria morrer. Eu prometi que cuidaria dela. Mas ela ficou se debatendo e dizendo que não queria, até que deu um grito e seu esposo acordou. Eles atribuíram tudo aquilo ao sonho. Mesmo que minha filha dissesse que seu braço parecia ter sido puxado de verdade. Nunca entendi como ela teria me visto, pois das outras vezes, ninguém me viu. Ela ficou assustada por muito tempo, com medo de falecer e deixar seu filho pequeno sem mãe. Por esse motivo, decidi que aceitaria de vez a minha morte.

Agora, eu me divirto com meus colegas quando chegam aqui. Alguns aceitam tranquilamente. Outros, entram em pânico e tentam voltar a todo custo, fazendo as pessoas se sentirem assombradas ou pensar que estão recebendo sinais. Tem alguns ainda mais cruéis, que se aproveitam da situação para amedrontar os vivos. Ainda tem os que viraram espíritos sombrios e fazem de tudo para trazer essas pessoas para o lado de cá das piores formas que você possa imaginar.

A vida aqui do outro lado é bem agitada. Por isso, não pense você que coisas sobrenaturais acontecem do lado daí apenas por coincidência, ilusão de ótica, ou qualquer outra desculpa que tente justificá-la. Ela acontece porque existem almas perdidas por aí. Dessa forma, é sempre bom tomar cuidado…

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História de Terror: Relato do Outro Lado

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