Diga a Ela que Estou Bem

Quando você possui um dom que é passado de geração em geração, o que você faz com ele pode ser de extrema importância para outras pessoas.

Esta é uma experiência que eu não costumo falar. Acredito no paranormal e já tive muitas experiências, mas esta… esta é diferente. São experiências como entrar em uma sala e saber que sua prima vai ter um menino (mesmo que ela tenha descoberto que estava grávida naquela manhã e ainda é muito cedo para esse exame de gênero), ou como saber que música está tocando no rádio antes de ligá-la.

Quando coisas assim acontecem, você começa a sentir um frio instantâneo, e sabe que algo está funcionando no seu caminho através de sua própria alma. Algo muito maior que você.

Minha avó era uma de 13 irmãos, mas ela era mais próxima de seus dois irmãos em Ontário, Ike e Si. Seu irmão favorito era Ike. Eram inseparáveis. Todo verão, vovó planejava ir a Ontário visitar seus irmãos e suas famílias. Às vezes, ela levava as filhas com ela.

Um verão, vovó convenceu minha mãe a ir com ela para a viagem. Enquanto estavam no avião a caminho, meu tio-avô Ike pegou uma escada para trabalhar em seu galpão, e acabou caindo. O médico disse que ele estava bem e o mandou para casa. Mas Ike não estava bem. Ele tinha quebrado vários ossos na queda e sofria de um distúrbio sanguíneo ainda não diagnosticado. Quando o avião pousou, ele estava de volta à emergência, já morrendo. Vovó e mamãe chegaram lá bem a tempo do funeral.

Vovó estava mais do que devastada. Quando ela chegou em casa, sua dor era palpável, uma nuvem negra de tristeza englobava tudo ao seu redor. E foi aí que a estranheza aconteceu.

Agora, eu tenho que dizer que, enquanto o tio Ike era o irmão favorito da minha avó e o tio favorito da minha mãe, eu sentia o mesmo por ele do que pelos os outros irmãos da vovó. Quer dizer, eu amava todos eles, mas eles não visitavam muito e eu raramente os via.

Então, eu estava dormindo uma noite, e sonhei que estava na casa da vovó. Eu estava de pé no degrau de trás e eu sabia que estava sonhando. Essa foi a parte estranha. Tudo estava tão claro e lúcido e eu sabia que era um sonho. Não consegui acordar. Eu estendi a mão, abri uma porta e me deixei entrar.

A cozinha estava uma bagunça. A mesa estava cheia de pratos sujos. Parecia que a família tinha acabado de desaparecer. Normalmente, depois que todos nós terminávamos de comer, sentávamos e ficávamos conversando até a chaleira ferver, e então alguém fazia chá, e comíamos a sobremesa. Mas apesar dos sinais óbvios de que as pessoas tinham acabado de terminar uma refeição e deveriam estar esperando por seu chá, conversando, não tinha ninguém sentado ao redor da mesa. Não tinha ninguém por perto.

Aquilo estava errado em todos os níveis. Isso me assustou profundamente. Onde estavam todos? E então eu ouço a chaleira assobiando. Eu dei dois passos porque a geladeira estava bloqueando minha visão do fogão e foi aí que eu o vi.

Lá, em um canto da cozinha bloqueada pela geladeira, estava o tio Ike. Ele estava desleixando em uma das cadeiras da cozinha. Ele olhou para mim e sorriu. Ele não disse nada, mas a mensagem que recebi foi “Diga a ela que estou bem” e então eu acordei.

Vou correndo até a casa da minha avó e digo-lhe que sonhei com o irmão morto dela, e ele disse que está bem?! Claro que não! Eu rumino por dias sobre o que fazer. Nem é pelo fato de que minha avó não fosse acreditar em mim, mas pelo fato de que ela já teve sua cota de experiências ruins. Mas o desejo de não ser vista como uma pessoa louca é muito mais forte.

Eu acabei colocando a história do sonho de lado e resolvi não contar para ninguém. Mas, várias noites depois, eu estava de volta em sonho, andando na mesma bagunça daquela cozinha.

Este sonho é muito lúcido, só que não tão amigável quanto o anterior. Tio Ike está franzindo a testa. Eu acabei dizendo um “Diga a ela você mesmo!” porque se isso é real, então para que diabos ele precisa de mim? Mas havia uma resposta para isso, algo sobre o luto e como ele torna mais difícil falar com as pessoas que se foram. Além disso, tive a impressão de que ele continuaria voltando até que a mensagem fosse entregue.

No final, encontrei uma maneira de me sentar com minha avó e dizer à ela o que precisava ser passado sem parecer que eu estava perdendo a cabeça. Já tive outros sonhos estranhos parecidos com este, mas este foi o “pior” de todos eles, principalmente porque era sobre alguém que eu mal conhecia, e não me deixaria em paz.

ElizabethD, Cabo Breton

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