A Matilha e os Boiadeiros

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Essa história se passa entre as décadas de 30 e 40, naquele tempo como não existia caminhões para transportes de cargas vivas, usava-se muito os serviços dos famosos boiadeiros, os mesmos eram encarregados de transportar os bois ou cavalos via terrestre, que algum fazendeiro comprava de outro que criava, era um trabalho árduo e cansativo, pois às vezes os boiadeiros viajavam dias se deslocando de uma fazenda a outra, que muitas vezes eram de outros estados.

Na cidade de Adamantina no interior de São Paulo, existia um fazendeiro que tinha milhares de cabeças de gado e era dono de um dos maiores abatedouros da região, também era dono de um estábulo de vacas leiteiras. Ele ficou sabendo por meio de outros criadores que no estado do Mato Grosso do Sul tinha uma fazenda com alguns animais holandeses onde se procriavam rapidamente e rendiam muitos litros de leites, logo ele se interessou e resolveu averiguar o local e comprar alguns exemplares.

Esse ‘’Rei do Gado” de Adamantina, tinha um capataz que era de muita confiança, onde o mesmo ajudava a administrar as fazendas dele, esse capataz de nome Jonas já tinha sido há um tempo atrás um boiadeiro de mão cheia, muito requisitado na região pelo fazendeiros locais para tocar as viagens de transportes de animais. Como Jonas era bem experiente e entendia muito bem de gado, o fazendeiro resolveu não ir e enviar Jonas com mais alguns subordinados para MS para averiguar esses tais animais e negociar a compra de alguns deles.

Saíram bem cedo em uma Segunda-Feira, montados nos melhores cavalos da fazenda com destino a cidade de Santa Rita do Pardo/MS, foram Jonas e mais 03 vaqueiros, são 250 km para chegar a seu destino final, demoraram cerca de 07 dias para chegar a tal cidade, mas antes teriam que atravessar o famoso e deslumbrante Rio Paraná, o mesmo divide os estados de SP e MS.

Chegando a tal cidade, acharam a tal fazenda, viram os gados, negociaram a compra de 50 exemplares, todos entre machos e fêmeas. Mas antes passaram o dia descansando, pois teriam mais uma jornada de 250 km de retorno, e dessa vez, iria demorar mais, pois iriam transportar os gados junto.

A jornada de volta foi tranquila, até certo ponto, chegando à cidade de Brasilândia ainda no estado de MS, os boiadeiros encontraram alguns moradores locais, que alertaram eles que uns dias atrás choveu muito e o Rio Paraná estava muito cheio e vinha a transbordar. Um dos moradores fez um comentário: “Vocês são corajosos mesmo de andar por essas terras em plena a quaresma, são terras perigosas e amaldiçoadas, principalmente nessa época do ano ‘’, Jonas deu um sorriso de leve e falou: “ Não acredito em superstições”.

Jonas logo resolveu alterar a rota e subiram mais ao norte, onde o rio era bem mais estreito e fácil de passar por causa das chuvas que caíram, mal sabia ele que esse seria o pior erro que ele cometeria em toda a sua vida…

No meio do caminho, eles notaram que haviam passado por algumas aldeias indígenas, mas não deram bola no início, mas notaram que alguns desses índios eram um pouco diferentes de ‘’homens normais’’, eram altos, muito magros, porém fortes, esguios, e encaravam-nos astutamente pelos caminhos percorridos. Alguns km’s antes de chegar ao rio, montaram um pequeno acampamento, se alimentaram e foram dormir, foi aí que tudo mudou.

O Ataque

Já era bem escuro, talvez por volta das 22hrs, eles começaram a escutar a boiada mugir muito alto, os cavalos ficaram bem inquietos, dava para notar o medo no olhar dos animais, de repente eles escutaram vários gritos, muito, muito altos, como se fosse uma mescla de homens e porcos uivando, esses uivos fizeram todos gelarem as espinhas, e de pronto eles empunharam suas espingardas. A boiada instintivamente começou a formar um circulo (é o que fazem quando são atacados por um predador, na natureza geralmente os animais mais velhos e filhotes ficam no centro dele, protegidos pelos demais) ao redor deles, os homens notaram figuras negras, muito grandes, os mesmos corriam de quatro e saltavam sobre a boiada, os boiadeiros começaram a desferir tiros, mas sem sucesso de acertarem alguma coisa, o breu tomava conta do lugar apenas a luz da Lua e da pequena fogueira iluminava o local, de repente os ataques sessaram, mas o medo ainda dominava todos, pois ninguém sabia o que tinha acontecido direito.

Logo que saiu os primeiros raios de sol, eles notaram o caos que rondou a noite passada, acharam alguns a animais mortos, com feridas bem profundas, suas carnes pareciam que foram rasgadas por foices de tão extensas que eram, as mordidas tão grandes que nenhum animal que eles pudessem conhecer conseguiria proferir tal feito, a brutalidade foi tanta que o campo mais parecia um cenário pós-guerra da idade média, com muito sangue e vísceras espalhadas por todo lado. Todos muitos assustados arrumaram suas coisas rapidamente, e continuaram com a viagem e a tocar o rebanho.

No caminho eles notaram que estavam sendo seguidos bem de longe por aqueles tais índios que viram no dia anterior a km’s atrás, continuaram o trajeto, como já estava chegando ao final da tarde, eles resolveram montar acampamento na beira do rio, para evitar passar com a boiada a noite pelas águas do grandioso Rio Paraná. Não notaram mais as presenças dos índios, pensaram que eles deveriam ter tomado outro rumo.

O Segundo Ataque

Os boiadeiros com receio não conseguiram pegar no sono, e com razão… no meio da noite o pandemônio começou novamente, os animais inquietos e fazendo barulho, as sombras negras começaram a circundar novamente eles, mas os boiadeiros dessa vez estavam com o intuito de revidar fortemente dessa vez, foram de encontro a tais criaturas. Quando de repente uma delas pula sobre eles, escancara os dentes e levanta-se nas patas traseiras, é um cachorro enorme, de pelagem negra e orelhas pontudas, olhos amarelos que mais pareciam um par de lampiões acesos. Suas garras enormes que pareciam lâminas de 15 cm são cravadas no peito de um dos boiadeiros e o joga longe, prontamente Jonas dispara sua espingarda na criatura, ela recua e solta um uivo ensurdecedor, um dos boiadeiros se ajoelha e suplica a Deus por misericórdia, logo em seguida os demais correm cada um para um lado, o homem que foi ferido pela criatura consegue se levantar, e mesmo com cortes profundos e sangrando muito, consegue correr também.

No meio do tumulto, homens e animais correm pelas suas vidas em direção ao rio, como em uma única manada todos adentram as águas para escaparem da morte certa da beira daquele lugar maldito, no meio do rio Jonas escuta os gritos do boiadeiro que entrou em choque, que tinha se ajoelhado pedindo ajuda a Deus, Jonas era um homem corajoso, mas dessa vez nada lhe faria voltar para prestar socorro ao seu companheiro. Já do outro lado do rio, os 03 boiadeiros restantes notam o horror do outro lado, as criaturas dilacerando os animais que conseguiram caçar, os uivos… aqueles uivos que iriam aterrorizar a vida daqueles homens pelo resto de suas vidas…

Depois que atravessaram o rio eles praticamente fizeram quase todo o caminho sem parar, de 50 animais que eles transportavam, deles apenas 27 gados e mais 02 cavalos chegaram em seu destino final, em Adamantina/SP. Muitos morreram nos ataques, outros pelo caminho, devido a ferimentos ou cansaço. Chegando à fazenda quase ninguém acreditou na história, mas como Jonas era um homem muito sério e de confiança, o patrão acabou aceitando a versão dita por eles.

O homem atacado pela criatura que teve seu tronco quase aberto se recuperou. O segundo boiadeiro que era um rapaz jovem, ficou tão traumatizado que resolveu voltar para o sul do Brasil, dizem que até virou Padre. Jonas nunca mais quis exercer a função de boiadeiro, e por anos ele teve pesadelos terríveis daquele que seria o pior dia da sua vida.

Por: Rodrigo Bührer Ferreira

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