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A Morta-Viva de Santarém

por Mundo Sombrio
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Diz que lá paras as ilhas, vivia o casal Bertino e Auxiliadora. Eram jovens e não tinham filhos. Certo dia, Bertino estava consertando a rede de pescar na beira da estiva, enquanto auxiliadora lavava louça na pia, às suas costas. Bertino sentiu uma rápida vertigem e teve a impressão de ver um vulto passar ao seu lado. Numa fração de segundo, ouviu o baque surdo de sua esposa caindo no chão de madeira. Ele se virou alarmado, largando o que fazia para socorrer Auxiliadora. Checou seus sinais vitais e constatou em desespero o que não queria: sua mulher estava morta depois de um mal súbito. Sentou-se e ficou pensando em como iria sepultar sua mulher. Estava atordoado com a situação e sabia que teria que chamar a ajuda de alguém, o que exigia que ele enfrentasse o rio em seu casquinho, indo pelos furos atrás do vizinho mais próximo. Olhou para o corpo da companheira com lágrimas nos olhos, mas não podia se dar ao luxo de esperar o fim da tarde. Desceu na canoa e foi buscar ajuda de seu compadre. Já era noite quando a canoa com os dois apontou na entrada do furo de volta. Foi quando Bertino ouviu a voz do compadre num tom entre incrédulo e preocupado:

– Compadre… Tinha mais alguém na sua casa além de Auxiliadora?

– Como? Não compadre! Por quê?

Bertino seguiu o indicador do compadre e se chocou quando viu as luzes da sua casa acesas.

Amarraram a montaria e subiram cuidadosamente. Quando entrou em casa, Bertino sentiu a espinha gelar quando viu Auxiliadora sentada à mesa “escolhendo o feijão”. Os compadres se entreolharam confusos:

– Eu juro que ela tava morta quando saí daqui compadre!

– Eu não tô duvidando, compadre! Mas…

Auxiliadora parecia não notar a presença dos dois. Tinha um comportamento indiferente e estranho. O compadre de Bertino foi indo sem saber o que recomendar a ele. Disse que passaria de manhã para saber como as coisas estavam.

De noite, foram deitar-se. Auxiliadora não deu uma palavra sequer nem olhou Bertino no rosto. Este não teve coragem de perguntar o que acontecera. Na cama, Bertino notou que sua mulher estava fria como um cadáver e ele não ouvia sua respiração. Praticamente não dormiu. Teve muitos pesadelos.

Pela manhã, decidiu procurar o padre da região e contou o ocorrido. O religioso ficou muito preocupado e orientou:

– Meu filho! Acho que um espírito mal se apoderou do corpo de sua pobre esposa!

– Pelas Santas Chagas!!! O que eu faço, padre??

– Faça assim. Reze um pai-nosso e um creio em Deus Pai nas costas dela pra ver o que acontece! Bertino assentiu conformado. Quando chegou em casa, viu a esposa de costas na pia, lavando louça. Parecia que estava meio “pensa” pra direita e mais magra que antes. Arrepiado, ele seguiu o conselho do padre e começou:

– Pai nosso que estás no céu. Santificado seja o vosso nome… Auxiliadora se retesou subitamente e largou a louça na pia. Em seguida soltou uma espécie de silvo de cobra. Bertino continuou:

-… Venha a nós o vosso reino… A mulher fincou as unhas na beira da pia e deu um grito que gelou o sangue de Bertino. Ele fechou os olhos e continuou a rezar. A coisa começou a emitir grunhidos grotescos e exalar um fedor de carniça. Ouviu-se o baque do corpo caindo no chão. Bertino sentiu a mesma vertigem e viu o vulto passar de volta. Fez-se um silêncio e ele tomou coragem de ir até o corpo da esposa. Era a pobre Auxiliadora de novo no chão, dessa vez com uma expressão serena no rosto. Bertino finalmente chorou.

Ele sepultou a pobre esposa e foi embora da casa onde aquelas coisas sinistras ocorreram.

Por: Nathan Moura – Belém de Arrepiar

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