Caronte, o barqueiro do Inferno

Na mitologia grega, Caronte (ou no grego: Kháron) é o barqueiro de Hades, ou seja, o barqueiro do Inferno. Segundo a lenda, ele conduz as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte, que dividem o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

Para que ele possa atravessá-lo, é necessário pagá-lo com uma moeda especial, geralmente um Óbolo ou Danake, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga. Segundo alguns autores, aqueles que não tinham condições de pagar a quantia, ou aqueles cujos corpos não haviam sido enterrados com as devidas cerimônias ou tradições fúnebres, onde podiam pagar o Caronte pela viagem, tinham de vagar pelas margens por cem anos.

Algumas versões mencionam sobre o local onde os recém-mortos ficavam antes de se encontrarem com Caronte, uma única entrada da caverna que leva às regiões infernais, um trecho vulcânico perto do vulcão Vesúvio, na Itália, todo cortado de fendas por onde escapam chamas impregnadas de enxofre, enquanto do solo se desprendem vapores e se levantam ruídos misteriosos vindos das entranhas da terra. Por outro lado, o rio Aqueronte, que desaguava no mar Jônio, tinha suas nascentes localizadas no pântano de Aquerusa, charco próximo a uma das aberturas que os antigos acreditavam conduzir aos infernos. O que poderia descrever a ansiedade e o desejo dos recém-mortos em atravessar o rio.

Caronte, o barqueiro do inferno
Caronte, o barqueiro do inferno

Os gregos temiam que pudessem regressar para perturbar os vivos, algumas lendas contam sobre aqueles que haviam assombrado o rio. Após os cem anos poderiam atravessar o Aqueronte. Nenhum vivo poderia atravessar pelo barco de Caronte, a não ser que carregasse um ramo de Acácia, árvore consagrada a Perséfone, deusa raptada por Hades para ser sua esposa. Também, nenhum mortal poderia entrar na barca e atravessar o rio, a não ser que tivesse como salvo-conduto um ramo de ouro de uma árvore fatídica consagrada a Perséfone. A profetisa Sibila de Cumas deu um desses ramos a Enéias, herói lendário, quando este quis descer aos infernos para rever seu pai. Hércules teve sua passagem concedida sem ter em mãos este ramo. Por causa disso, Caronte foi punido e exilado durante um ano nas profundezas do Tártaro.

Além dele, somente Morfeu, Hermes, Hécate e Tânatos tinham o livre acesso ao mundo subterrâneo e só alguns poucos mortais se arriscaram a atravessar, como Herácles, Enéias e Orfeu.

Caronte

Geralmente, Caronte é apresentado como um ser idoso e imortal, de olhos bem vivos e o rosto majestoso, severo, com uma barba branca, longa e espessa. Suas vestes são de uma cor sombria, manchadas do negro limo dos rios infernais. A representação mais comum que os pintores antigos dele fizeram, é de pé sobre a sua barca, segurando o remo com as duas mãos. Em outras versões, porém, era retratado com uma máscara de bronze, sob a qual ocultava sua verdadeira face macabra que faria os recém-mortos repensarem em entrar na barca.

Conforme o Mitólogo Thomas Bulfinch, o Caronte “recebia pessoas de todas as espécies, jovens, virgens e até heróis magnânimos, eram tão numerosos como as folhas de outono ou os bandos de aves que voam para o sul quando se aproxima o inverno, todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, Mas o severo barqueiro somente levava aqueles ao qual escolhia, empurrando o restante para trás”.

O estudo das sepulturas gregas do século IV A.C. revela a existência de uma crença na vida além-túmulo. As pinturas nos vasos mortuários mostram os vivos voltando ao túmulo para enfeitar a lápide com fitas, untá-la de óleo ou então para depositar oferendas como frutas, vasinhos de argila e coroas de louros. Algumas vezes os vivos estão conversando com o morto, enquanto este toca algum instrumento distraidamente. Estes vasos pintados mostram ainda a famosa barca de Caronte, divindade encarregada de transportar para o mundo subterrâneo as almas daqueles que já haviam morrido.

Caronte, o barqueiro do inferno
Caronte, o barqueiro do inferno

Após seguirem as tradições cerimoniais fúnebres, a pessoa seguia para o mundo dos mortos onde seria julgado por seus pecados e seu coração pesado em uma balança com a pena da verdade, se seu coração, (ou pecados) fosse mais pesado que a pena o defunto era comido por uma besta ou demônio do mundo antigo, caso fosse mais leve, o corpo seguiria para o paraíso ou a alma voltava ao corpo.

No Egito antigo, os mortos eram guiados por Caronte pelo Estige. Este rio é descrito por um filósosfo italiano, por volta de 1519: “O rio Estige (Styx) é um dos rios do inferno clássico. Os outros são o Aqueronte, o Flegetonte, o Letes e o Cócito. O Estige é um rio pantanoso que cerca a cidade de Dite. É também o quinto círculo onde ficam submersos os iracundos. Os vencidos pela ira são amontoados no rio Estige juntos com seus semelhantes que não conseguiram controlar a raiva. São submetidos assim aos efeitos da ira causados por seus semelhantes, e então se mordem, se batem e se torturam. No fundo do Estige estão os rancorosos que, por nunca terem externado sua ira, não podem subir à superfície e ficam a gorgolar a lama do fundo do rio”.

Caronte, o Barqueiro do Inferno retratado pelos Egípcios
Caronte, o Barqueiro do Inferno retratado pelos Egípcios

Em todas as versões, Caronte desliza as margens do rio, onde os recém-mortos agonizam, grunhem e sussurram por misericórdia, ansiosos e inquietos erguem suas mãos ao barqueiro para serem também parte da lista dos que sobem a bordo.

Os egípcios acreditavam que o rio Estige era semelhante ao Nilo, Lodoso, escuro e profundo, certos escritos que descreveriam o Nilo como vermelho como sangue e seu interior misterioso.

Caronte, por muitos anos e em certas regiões do mundo, ainda representa as Viagens Astrais ou Projeção da Consciência, a quinta maneira de interação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

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